Amazonês
O AUTOR
Sérgio Augusto Freire de Souza é
amazonense de Manaus, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Mestre em Letras pela própria UFAM e Doutor em Lingüística pela Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP).
Publicou dois livros. O primeiro, em
co-autoria, foi a série Citizen 2000, pela
Editora Novo Tempo. A série didática foi utilizada por anos pelos alunos do
ensino médio da rede pública do Amazonas, tendo sido reformulada em 2004 e
rebatizada de New Citizen.
O segundo livro, Conhecendo Análise de
Discurso: linguagem, sociedade e ideologia, apresenta uma introdução à área
de Análise de Discurso e foi publicado pela Editora Valer.
O autor tem publicado artigos em vários periódicos impressos e
on-line e apresentado trabalho em encontros e congressos, além de proferir
palestras em várias instituições. Suas áreas de interesse na lingüística são a
Análise de Discurso, Produção de Material Didático, Aquisição de Linguagem e Informática
e Ensino de Línguas. Mais recentemente ampliou seu interesse por Gestão da
Educação Pública.
É casado com Fabiana Eid e pai de Ana Clara e de Marina. Em seu site pessoal
(www.elton.com.br) podem ser encontradas mais informações e outros textos do
autor, como suas crônicas, muitas publicadas em jornais locais.
Umas palavras iniciais...
Este livro é fruto de paixões
misturadas: a paixão pela ciência, a paixão pela linguagem e a paixão pelo
Amazonas.
A paixão pela ciência se manifesta
porque é por meio dos trabalhos científicos que descrevemos e explicamos (e,
portanto, compreendemos melhor) o mundo em que vivemos. No entanto, fazer
ciência em um país como o Brasil não fácil. O fomento é limitado e as
dificuldades tremendas. A despeito dos empecilhos, fazer ciência é uma forma de
se eternizar no mundo, de deixar um olhar muito particular sobre determinado
objeto. Quando os obstáculos para se concretizar uma pesquisa são superados, há
ainda o desafio de torná-la pública, pois todo texto surge do social e a ele
deve voltar. Nesse particular, alegra-me sobremaneira a acolhida ao trabalho
feita pela Editora Valer, grande agente de resgate e perpetuação da memória
cultural de Manaus, por meio de suas inúmeras publicações, nas mais variadas
área do conhecimento.
A paixão pela ciência se manifesta
por meio da paixão pela linguagem. Pela linguagem somos. Pela linguagem damos
sentido ao mundo. Na linguagem podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas
crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo, enfim. Somos o que aprendemos a
ser durante nossa vida e aprendemos a ser via linguagem, no nosso caso a língua
portuguesa. É doce ilusão, no entanto, acreditar que a língua portuguesa é
única e inteligível por todos os seus falantes. Um breve deslocamento basta para
ouvir outras línguas portuguesas, com
outras palavras, outros cantos, outras identidades. Há o português mineiro, um trem danado de bão; o
português gaúcho, tri-diferente
e cuiúdo;
há o português caipira e seu falar forgado; há o português carioca, do povo do ridijanero, sem falar do português falado pelo maranhense,
que ao perguntar qual sua pontuação
quer saber o número que você calça. Há vários “portugueses” espalhados no
Brasil, todos bem diferentes do Português que aqui chegou, supostamente nas
naus de Cabral. Depois que aqui aportou, seria impossível que o português de
Portugal não sofresse influência das mais de trezentas línguas indígenas então
existentes, bem como das línguas africanas e européias que para cá também
vieram, como registram a nossa história e os nossos estudos lingüísticos. A
língua portuguesa brasileira possui outra história e outra historicidade,
diferentes das que embarcaram nas caravelas no séc. XVI. Por tantas diferenças,
alguns lingüistas já ousam chamá-la de língua
brasileira. São línguas com materialidades tão distintas que ao instalar um
programa no computador, por exemplo, há a opção para ambos os idiomas como se
fossem dois, porque de fato o são.
Se cada variante do português
espalhada por esse país imenso tem sua nuance é porque também tem sua história
particular. E a variante falada no Amazonas tem a sua. Os termos indígenas na
linguagem da região são bem marcantes, como igarapé,
igapó e bubuia. A linguagem dos soldados da
borracha, nordestinos que para cá migraram no fim do século XIX, deixou sua
marca, como catinga, abestado
e de lascar. O chiado do português
de Portugal se manteve no s final da
pronúncia dos amazonenses.
Por
tudo isso, é bobagem disputar a naturalidade dos termos. O que podemos afirmar
é que todos são termos do português brasileiro que, pelo capricho dos
movimentos da história, resolveram aparecer e se fixar aqui ou ali. Assim, o
dicionário de Amazonês vai certamente trazer marcas,
por exemplo, de um cearês por conta do encontro
lingüístico dos tempos da borracha. Essas fronteiras lingüísticas são muito
tênues e móveis. Estar neste pequeno dicionário não batiza a palavra como
amazonense, mas a naturaliza como cidadã do maior estado do país porque ela faz
sentido na linguagem dessa região.
Essa região é a terceira paixão que
confluiu para o aparecimento do livro: a paixão pelo Amazonas. Terra abençoada
com uma cultura tão rica quanto qualquer cultura e tão peculiar como peculiar é
também toda cultura. Como o peixe é o último a perceber a água, é preciso se
distanciar para chegar mais perto. O texto acadêmico embrião deste livro surgiu
na agradável cidade de Campinas, SP, durante o doutorado na Unicamp. O artigo,
requisito para a qualificação de área em Sociolingüística, é apresentado na
primeira parte do livro. No texto há algumas reflexões sobre linguagem e
discurso que introduzem e ajudam a compreender a segunda e maior parte do
livro, o dicionário em si.
Por
fim, o livro traz ainda uma entrevista sobre o Amazonês
feita por Moisés Arruda para seu blog. Peixe fora d’água, Moisés é um
amazonense exilado em São Paulo que viu na linguagem da sua terra uma forma de
diminuir a saudade. A entrevista é excelente e sintetiza as várias entrevista
dadas à imprensa sobre o assunto durante os cinco anos necessários para que o material
tomasse a forma final e chegasse às suas mãos. A entrevista feita por Moisés
responde as dúvidas mais comuns dos leitores leigos. Pelo distanciamento da
linguagem, aqui vista não como parte naturalizada da vida, mas como objeto teórico,
não há como não se espantar com o que nos rodeia o tempo todo: a língua que
falamos. Ou melhor: a língua que nos fala. Boa leitura.
Sérgio Augusto Freire de Souza
Verão sem chuva de 2007
Peculiaridades
do falar amazonense:
um dicionário e algumas reflexões pedagógicas
Sérgio Augusto Freire de Souza
Doutor em Lingüística – UNICAMP
Introdução
Um dos índices de identidade mais forte que conhecemos é a língua. É como diz Labov (1972), “a questão sociolingüística fundamental vem
da necessidade de se compreender por que alguém diz algo”. Dizer algo passa por
usar a língua. No entanto, a denominação “língua” apaga que dentro de uma
língua há várias línguas e variações que por vezes tornam difusas as bordas e
fronteiras. “Qualquer língua, falada por qualquer comunidade, exibe sempre
variações” (Alkimim
2001: 33).
É nesse pressuposto sociolingüístico que esse trabalho se constrói. O texto que
aqui apresentamos é resultado de mais de cinco anos de análise de situações de
linguagem oral em Manaus, no Amazonas. Em nossa coleta de registros, tentamos o
máximo fugir do “Paradoxo do Observador” (Labov, op.cit.: 181),
criando situações que desviavam o foco da fala, permitindo com isso que o
falante se expressasse sem saber que era ela, a fala, que estava no centro do
estudo.
Como produto da análise, buscamos reunir em um dicionário signos do falar que
identifica o manauara e que, por outro lado, o desidentifica
em relação ao português falado em outras regiões do país. Na costura do
trabalho, como dito, enfatizamos o discurso da oralidade (Gallo 1995) por ser esse
discurso menos sujeito às normatividades da língua padrão[1]. Buscamos ainda considerar alguns
aspectos na feitura do texto, e deixamos de fora, por uma questão de recorte, o
aspecto fonético e sintático, que merecem um estudo à parte, ainda que o
reconheçamos necessários dentro da inter-relação constitutiva das partes da
linguagem.
O trabalho constou das seguintes fases: definição do escopo do trabalho,
definição do corpus, análise das enunciações, classificação e elaboração do
dicionário.
1 O escopo do trabalho, a definição do
corpus e as resultantes
Como em toda pesquisa, é necessário recortar o objeto para melhor
trabalhá-lo teoricamente. Nosso recorte teve uma dupla característica: foi um
recorte discursivo e um recorte lingüístico ao mesmo tempo. No aspecto
discursivo, privilegiaram-se a oralidade, tomada do ponto de vista da análise
de discurso (Gallo
op.cit.), e registros dessa oralidade em situações concretas de
enunciação, a fim de evitar procedimentos que envolvam dados “inventados”, como
os que normalmente vemos em algumas teorias, notadamente aquelas fundamentadas
nos trabalhos da Gramática Gerativa.
Esse duplo recorte nos possibilitou coletar dados nas seis zonas geográficas de
Manaus[2], assim determinadas conforme Decreto n.º
2.924 de 07 de agosto de 1996. É interessante notar, e desenvolveremos essa
consideração mais à frente nas conclusões, a predominância dos traços que
identificam a linguagem utilizada como “amazonense” nas áreas de menor poder
aquisitivo e de menor acesso aos bens sociais. Essa forte correlação tem, a
nosso ver, uma importância fundamental na compreensão do próprio processo identitário do manauara e de sua relação com a língua
trabalhada na escolarização.
O tratamento analítico do corpus apresentou duas resultantes: uma referencial e
uma pedagógica. A resultante referencial é a compilação de um dicionário básico
de regionalismos amazonenses falados na cidade de Manaus. A resultante
pedagógica é uma reflexão das implicações desse falar para o ensino de língua
portuguesa nas escolas da rede pública da cidade.
2 O tratamento do corpus
A língua é uma entidade caleidoscópica que simula para o falante uma
falaciosa homogeneidade. Nessa simulação, entram dois níveis: o nível lingüístico
e o nível discursivo.
No nível lingüístico, o falante
vê-se iludido na imagem circulante de que a língua que fala é igual para todos
os outros falantes. Nessa visão, basta que o processo de comunicação como
proposto por Jakobson (1988: 123)
se efetive para que haja comunicação: um emissor emite uma mensagem num código
inteligível pelo receptor através de um canal limpo. Se o caminho estiver
perfeito a compreensão acontece. O esquema proposto por Jakobson, no entanto,
desconsidera um aspecto fundamental da linguagem, que é o discurso[3].
No nível discursivo, cada dizer
não é dito sem motivação ideológica, revelando processos que localizam o
sujeito enunciador em um lugar sócio-histórico que dará sentido ao seu dizer. A
teoria do discurso, no entanto, afirma que o sujeito “esquece” essa filiação
histórico-ideológica, sendo esse esquecimento constitutivo da natureza da
linguagem (Pêcheux e Fuchs 1975; Souza 2006). Esse apagamento de filiação
discursiva leva o sujeito à idéia de que a língua é transparente, ou seja, de
que à coisa dita corresponde sempre o significado pretendido.
Nossa análise passa, assim, pelo
exame dessa dupla perspectiva: a da roupagem lingüística e a do caráter discursivo
da linguagem.
2.1 A roupagem lingüística
O discurso não está em correlação direta com a roupagem lingüística. Por
roupagem lingüística referimo-nos ao registro lingüístico utilizado pelo
falante. Assim, o discurso x, entendido como uma prática social, se manifesta tanto no registro padrão da língua quanto em
um não-padrão.
No entanto, tendo em vista que uma comunidade de fala se define por ser uma
entidade sociolingüística e uma unidade fundamental de análise (Gumperz
1968), normalmente um falar é associado a um comportamento social, numa
homogeneização que leva aos estereótipos sociais no imaginário de uma
coletividade. Uma comunidade de fala é extremamente complexa e heterogênea e é
extremamente arriscado definir correlações biunívocas entre fala e
comportamento social sem uma análise mais profunda dessa complexidade. Como
critica Romaine (1982): “É preciso reconhecer. Às
vezes nós [lingüistas] mal sabemos quão heterogêneas algumas comunidades de
fala são” (p. 15).
Por outro lado, não há como negar que existem correlações entre as variações
lingüísticas e um amplo leque de características sociológicas dos falantes,
como tem sido documentado pelos inúmeros trabalhos sob a influência laboviana.
O que estamos querendo dizer é que mesmo reconhecendo as correlações sociais
entre a variante utilizada e grupo social que a utiliza, essas correlações se
dão de forma heterogênea e não são garantias de homogeneidade discursiva. Mais
do que identidade discursiva, o que há é certa garantia de identidade
lingüística. Resumindo: a identidade lingüística não garante a identidade
discursiva.
Por que levantamos essa questão? Porque em nosso trabalho percebemos identidade
lingüística onde não havia identidade discursiva e vice-versa. Assim, queremos
de antemão evidenciar que o estudo lingüístico aqui descrito não se inscreve na
pressuposição da relação um-para-um língua-grupo
social.
2.2 O caráter discursivo da
linguagem
Todo grupo social que utiliza a linguagem se organiza. Em sua organização,
relações de poder (Foucault 1979)
se estabelecem juntamente com o estabelecimento de formações imaginárias em
relação aos demais grupos que se inter-relacionam. Na composição dessas
relações imaginárias sociais entram como elementos fundamentais a movimentação
e a composição do tecido social através das organizações sócio-geopolíticas, ou
seja, entram nessa equação as relações de classe, as relações de organização no
espaço da cidade e as relações políticas no sentido grego da polis, da
relação de cidadania.
No aspecto discursivo, podemos afirmar que existem duas principais atitudes em
relação ao falar amazonense: uma atitude de identificação positiva e uma de
identificação negativa. É interessante notar que a identificação positiva
aparece muito mais nos falantes localizados em uma faixa econômica mais
privilegiada economicamente e que menos está sujeita a marcações da linguagem
regionalizada em sua fala. A identificação com “o que é nosso”,
no caso a linguagem, funciona como uma espécie de marcação de posição
quanto ao que não é: a linguagem padrão produto de investimento dos meios de
comunicação de massa e da mídia em geral. Por outro lado, a identificação
negativa se mostrou muito mais comum nos falantes das zonas mais pobres da
cidade, notadamente Norte e Leste. Apesar de fazer uso da linguagem local com
mais freqüência, ser identificado como “caboco”[4] traz imediatamente uma sensação de
negação identitária, como se essa identidade “ruim”
devesse ser apagada ou dissociada de si. O recado, na linguagem padrão, é: “não
é bom falar como eu falo porque isso lembra que eu sou o que eu sou, morador da
periferia sem acesso aos aparelhos sociais”.
Retomaremos a questão discursiva em nossas conclusões. Por agora,
apresentaremos alguns excertos de nossa pesquisa com respectivos comentários.
2.3 O falar caboco: a roupagem
O que caracteriza o falar caboco? Qual a margem que o
localiza como pertencente a um sujeito diferente? Definir essas margens é um
dos grandes desafios dos lingüistas. Até que ponto isso é um termo do falar
amazonense e não mais uma herança do falar nordestino
incorporada ao patrimônio lingüístico local pela diacronia lingüística, que
apagou o traço da história?
Na análise de nosso corpus, são duas as grandes influências que compõe o falar
amazonense: a influência nordestina e a influência indígena. É preciso um breve
histórico dessa influência.
Segundo Freire (2004), o Português é língua hegemônica na Amazônia há apenas
150 anos. Até então a presença lingüística da Língua Geral (Nheengatu)
era preponderante, bem como as demais línguas das nações indígenas existentes.
Com o início do Ciclo da Borracha (1879-1912), a presença de migrantes
nordestinos foi acentuada e seu falar passou a compor o cenário lingüístico da
região. Os migrantes, principalmente cearenses, fugiam da seca e da miséria que
avassalava sua região então.
Sob a base do português geral, essas duas variáveis passaram a desenhar os
traços do linguajar amazônico. Quando falamos da dificuldade de definir
bordas é exatamente a esses limites opacos que nos referimos. Nordestinos
reconhecem em termos cabocos sua filiação nordestina.
Indígenas vêem a presença de seus termos de forma forte no português amazônico.
Termos e expressões como arrudear, bucho,
caga-raiva e desconforme trazem uma cor nordestina, da mesma forma que carapanã,
mangarataia, empachado, jururu, pitiú apontam
para uma indigeniedade marcante.
Se o reconhecimento é um critério de identificação, o desconhecimento também o
é. Uma vez feito o levantamento do vocabulário, passamos a “testar” suas bordas
com pessoas não pertencentes ao universo discursivo amazonense. Expusemos os
vocábulos a paulistas, mineiros, gaúchos, baianos, cearenses, fluminenses e
catarinenses. Alguns termos foram reconhecidos na acepção utilizada pelo
amazonense, mas a maioria dos termos era desconhecida. Sabendo da
impossibilidade de um recorte preciso, porque a língua é volátil, tentamos
ajustar o máximo possível as fronteiras que definiam o que ficava dentro e fora
do dicionário.
Assim,
antes que alguém reclame que determinada palavra não é exclusividade do falar
amazonense, explicamos que a dinâmica da língua nunca garantirá tal propriedade
exclusiva.
2.4 O falar caboco: o discurso
Afinal, é bom ou ruim ser caboco? Como nos diz
Derrida (1997), todos os signos são pharmakon.
Podem ser bons ou ruins, dependendo da dosagem e do paciente. Não seria
diferente com a imagem de ser caboco. Encontramos
índices de identificação e de contra-identificação (Pêcheux 1988) nas falas analisadas.
Algumas falas de identificação: “... é muito bom falar
de coisas nossas, amazonenses. A nossa linguagem é única e fantástica”,
“...ouvir essas palavras de novo me faz voltar o que de mais feliz eu tive: a
minha infância”, “... é (sic) muito chibata essas expressões”, “gente,
como é bom falar e ser entendida. Odeio quando falo as coisas aqui no Rio e
ninguém me entende”.
Algumas falas de contra-identificação: “... é muita caboquice falar assim, coisa de gente pobre, do bodozal’, “... triste esse
jeito de falar. Só cabocão fala
assim...”, “... é uma pena que muita gente fala
esse português errado...”.
Aqui voltamos à tese de que não há coincidência entre identidade lingüística e
identidade discursiva. Por um lado, muitas frases de identificação vêm de
falantes que não utilizam os termos cabocos com
freqüência. Algumas frases traduzem o preconceito lingüístico (Bagno 1999)
da associação biunívoca entre norma padrão e língua portuguesa, sendo todos os
outros registros considerados como sendo português errado ou de pior qualidade.
Por outro lado, essa mesma associação habita o imaginário das classes mais
pobres que possuem acesso restrito à língua padrão, quando associam o registro
que usam a uma língua inferior. Mesmo utilizando o registro, não o aceitam como
de valor na economia das trocas simbólicas (Bourdieu 1999), mimetizando em
sua própria auto-imagem da identidade social esse não-valor.
Ainda como exemplo de que a transversalidade valorativa perpassa as várias
classes sociais, citamos dois exemplos recentes. A rede de drogarias Pague Menos
chegou a Manaus oferecendo descontos de 60% nos medicamentos por ela vendidos.
Os dois grupos que dominam o mercado farmacêutico em Manaus começaram uma
propaganda maciça fazendo um chamamento à amazonidade,
utilizando o slogan “Amazonense como você”, utilizando frases como “quem não
lhe conhece não pode inspirar confiança” e coisas do gênero. O Banco HSBC
decidiu fazer propagandas regionalizadas e utilizou várias expressões, como
“Cortar a curica”, por exemplo. A repercussão foi extremamente positiva na
cidade e o comercial bastante comentado. Vale ressaltar que a atitude positiva
veio de um público que é cliente de banco e que tem acesso aos meios de
comunicação.
3 As implicações
pedagógicas à guisa de conclusão
Em todo processo de coleta de registros, análise e compilação do dicionário, um
objetivo corolário nos acompanhou. O que pode esse percurso levantar de
questões para o ensino de língua portuguesa na escola? Que reflexões podem ser
levantadas para o tratamento sistemático da linguagem em ambiente escolar?
Partimos da premissa de que ao aluno deve ser proporcionado o acesso à língua
padrão e cabe à escola essa experiência. É pela língua padrão que ele acessa
bens culturais que ampliam seu espaço de cidadania. A escola não deve se furtar
a tal tarefa sob pena de ser uma escola excludente.
Com essa premissa definida, cremos que a abordagem à língua padrão pode ser
feita de forma mais proveitosa através da exploração de processos de identificação
lingüísticos. Assim, o professor deve levar em conta toda a bagagem lingüística
trazida pelo aluno, incluindo a oralidade, e fazer a ponte dessa bagagem com a
língua padrão. A transposição da oralidade não-padrão para a
escrita padrão, como procedimento metodológico, já encontra bastante
suporte na literatura lingüística (cf. Marcuschi 2001a, 2001b).
Para isso, é necessário que o professor de língua portuguesa transite por
conceitos sociolingüísticos que lhe permitam um deslocamento do lugar de
sujeito normativista. É preciso que não caia em
nenhuma das falácias abordadas por Soares (1997), como a teoria do déficit
cognitivo, cultural ou lingüístico, já desconstruídas há algum tempo no campo
da lingüística.
O professor que souber aproveitar a capacidade do aluno de ser poliglota em sua
própria língua atingirá dois objetivos desejáveis para a escola de hoje:
respeitará a diversidade constitutiva do social, ampliando no aluno a
consciência de sua identidade lingüística e, portanto, de ser sujeito no mundo
e proporcionará momentos de acesso real do aluno à chamada norma padrão, a
norma de investimento nacional, possibilitando igualmente a inserção desse
aluno num universo social cuja barreira, além de econômica, se faz muito forte
e marcadamente pela linguagem.
É, sem dúvida, necessária a ampliação de visão metodológica para o trabalho com
a linguagem. Essa ampliação passa pelo trabalho com os diversos gêneros orais e
escritos (cf. Bentes &
Fernandes 2005), de vários registros, para que se evidencie ao aluno o
caráter complexo da linguagem, produto e prática social.
Esse deslocamento nas posturas teóricas e metodológicas é hoje o maior desafio
de todos nós que trabalhamos na formação de professores. Conseguir deslocar
imaginário faz parte do compromisso político do pesquisador que se diz
educador. É na conjunção da teoria e da prática que a mudança política se
possibilita.
Terminamos onde começamos, com Labov (1972): “a
questão sociolingüística fundamental vem da necessidade de se compreender por
que alguém diz algo”. Conhecer a historicidade desse dizer nos ajuda a
compreender nossa própria identidade e nosso papel na teia social, pois
sociedade e linguagem se constituem mutuamente.
Esse
dicionário é uma pequena contribuição para o fascinante mundo da linguagem.
Para contribuir com futuras edições mande um e-mail para
sergio_freire@uol.com.br ou participe na comunidade dedicada ao Amazonês no site de relacionamento Orkut.
Referências Bibliográficas
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Bentes, A. C.; Fernandes, F. A. “A poesia oral nas periferias do mundo:
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Derrida, J. A farmácia de Platão. São Paulo: Editora Iluminuras, 1997.
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Freire, J. R.
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Souza, S. A. F. Conhecendo análise de discurso: linguagem, sociedade, ideologia. Manaus: Valer, 2006.
Notas
[1] Em seu trabalho, Solange Gallo afirma que o Discurso da Oralidade pode ser tanto
falado quanto escrito, não sendo, portanto, o meio de produção um determinante
na caracterização do discurso, mas a relação do enunciador com a
institucionalização de seu dizer.
[2] São elas: Norte, Sul, Leste,
Oeste, Centro-Oeste, Centro-Sul.
[3] O termo discurso é um
termo portmanteau que agrega vários
entendimentos conceituais. Neste trabalho nos referimos a discurso
sempre dentro do campo teórico da Análise de Discurso oriunda dos trabalhos de
Michel Pêcheux, que entende discurso como seu objeto teórico (objeto
histórico-ideológico), que se produz socialmente através de sua materialidade
específica (a língua), uma prática social cuja regularidade só pode ser
apreendida a partir da análise dos processos de sua produção, não dos seus
produtos.
[4] Utilizamos o termo “caboco” e não “caboclo” para diferenciar a identidade do
falante urbano manauara da identidade do amazônida,
que faz da subsistência seu meio de vida no interior do Estado.
A
A COMO? loc. adv.
– Quanto custa? “A como tá o tucunaré?”
“R$ 10 a enfiada”.
A LA VONTÉ exp. id. – Como queira.
“Se quiser ir embora, a la vonté!
E já vai tarde!”
A PERIGO loc. adv. – 1 Sem dinheiro. “Paga o
lanche pra mim, cara, que eu tô a perigo”. 2 Muito tempo sem manter relações sexuais. "O Amaro está a perigo. Está pegando
até velha desdentada".
A PRÓPRIA loc. adj. – A tal, a boa, a melhor. “A Ana Paula comprou um perfume francês e
chegou aqui se sentindo a própria”.
A PULSO loc. adv. – Forçado, obrigado, na
marra. “Comendo sem gosto... Parece até
que está comendo a pulso”.
A RETALHO loc. adv. – No
varejo. “Compra um real de cigarro na
venda do Zé. Ele vende a retalho, o que é bom para fumante liso como eu”.
ABACABA s. f. – 1 Palmeira que dá frutos oleosos e comestíveis para vinho ou mingau. 2 Mentira. “O Paulinho tava lá contando
a maior abacaba. Ele disse que pescou na linha cento
e vinte jaraqui numa manhã”.
ABACABEIRO s. m. –
Mentiroso. “O Dudu é um tremendo abacabeiro! Disse que o pai dele é dono da Microsoft”.
ABACATADA s. f. – Vitamina de abacate. “Estou morrendo de fome. Pega o leite e o
abacate que eu vou fazer uma abacatada para mim”.
ABAFAR v. – Apropriar-se de bens alheios,
afanar. “O advogado pilantra abafou a
herança do cliente”.
ABANCAR-SE v. – Sentar. “Espere um pouco que ela já vem. Abanque-se aí no sofá, homem!”
ABARROTADO adj. – Cheio demais. “Tem
que trocar o saco de lixo que esse aqui já tá abarrotado”.
ABESTADO adj. – Apalermado, imbecil, idiota,
estúpido, pessoa que não entende de nada. “Não
gosto dele, não. Ele é muito abestado pro meu gosto”.
ABESTALHADO adj. – Ver Abestado.
ABIO/ABIU s. m. Fruto arredondado de casca amarela, polpa gelatinosa, translúcida ou
ligeiramente brancacenta, com sabor adocicado e de grande delicadeza. Encontrado
em grande número em estado silvestre na Amazônia. Após comê-lo, os
lábios ficam grudentos. Ver Comer abiu.
ABIROBADO adj. –
Abestalhado. “Não confio no Guilherme pra levar os pratos lá, não. Ele é muito abirobado. Vai fazer besteira”.
ABISCOITAR v. – Ver Abafar.
ABOBRINHA s. f. – Besteira, coisa sem importância. “Pára
de falar abobrinha, menina. Vê se te informas antes de dizer as coisas”.
ABRICÓ s. m. –
Fruta de origem oriental do tamanho de uma manga grande, redondo, sabor
ácido-adocicado, lembra mesmo os abricós do Oriente, de onde veio no século
XVIII.
ABUSO s. m. – Nojo. “Peguei um abuso da Creuza.
Só de olhar pra ela fico irritado”.
AÇAÍ s. m. – Palmeira altamente
ornamental, de múltiplos troncos de até 25 m de altura, levemente curva e
apresentando raízes visíveis na base, caule liso. Seus frutos nascem em cachos
em número de três a oito por planta. Sua freqüência no Baixo Amazonas chega a
tal ordem que produz populações homogêneas. Sua regeneração é
extraordinariamente grande mesmo sendo abatida vorazmente pela indústria de
palmito. Floresce quase o ano inteiro, porém predominando de setembro a
janeiro. A maturação de seus frutos verifica-se durante a maior parte do ano,
com maior intensidade nos meses de julho-dezembro. Altamente energético.
ACESUME s. m. –
Enxerimento, atiramento. “Quando chega
homem aqui, essas meninas ficam num acesume só”.
ACHAR GRAÇA
loc. v. – Rir, sorrir. "Ele contou a piada e todo mundo achou
graça".
ACHO É BOM!
exp. id. – Expressão manifestando
a opinião de que a pessoa mereceu o que teve. “O namorado da Alice botou chifre nela. Acho é bom! Ela também traiu o
ex-marido!”
AÇO s. m. – Bebida alcoólica. “Ele só chega cheio do aço toda noite”.
ACOCHAR v. – 1 Agarrar alguém com intenções sexuais. “O Dangliney está acochando a mulher do
Walter”. 2 Cobrar. “Cadê o trabalho?
Não dá mais para enrolar, não. O chefe está me acochando!”
ACOITAR v. – Encobrir namoro de um casal.
ACONTECIDO s. m. – Fato. “Sei não, doutor delegado. Na hora do acontecido eu tava dormindo”.
ACREANA s. f. – Mulher fogosa.
-AÇU el. comp. –
Sufixo de composição significando Grande.
“No lago do Janauacá
tem muito jacaré-açu”.
ACUAR v. – Recolher-se sem chance de defesa. “Quando chegaram todos para tirar a coisa a
limpo, ele ficou acuado na sala”.
ACUNHAR v. –
Envolver-se amorosamente.
ADUBAR v. – Bajular com alguma intenção. “Eu não desisto da Rosinha. Continuo
adubando. Um dia eu me dou bem”.
AFOBADO adj. – Apressado,
impaciente. “O afobado come cru”.
AFOLOSADO adj. – Frouxo, largo. “O
parafuso não segura porque ele está cuspido e a porca está afolosada”.
AFRONTADO adj. –
Satisfeito, cheio, empanzinado, empanturrado. “Comi tanta macaxeira que fiquei afrontada”.
AGÁ s. m. – Arranque, falso
propósito. “O Sandro só tem agá, rapaz! Diz que faz e
nada!”
AGARRO s. m – Ato de namorar
despudoradamente com carícias corporais. “Quando
passei estavam os dois no maior agarro no muro da
igreja”.
AGONIADO adj. – Nervoso, inquieto. “O
Júlio está agoniado com tanta dívida”.
AGORINHA adv. – Diferentemente do uso no
Sudeste, Agorinha quer dizer há pouquíssimo tempo
atrás, referindo-se ao passado e não ao futuro. “Ela estava aqui agorinha, mas sumiu”.
AGUAPÉ s. m. – Vinho ralo, com
adição de água.
AJUNTAR v. – Apanhar o que está no chão. “Ajunta teus brinquedos e bora embora, menino”.
AJUNTAR-SE v.
– Amasiar-se, viver junto. “A ex-mulher
do Mário se ajuntou com o Walter Papagaio. Estão morando juntos”.
ALCOVITAR v. – Encobrir namoro de um casal.
ALEGAR v. – Dar algo a
alguém e depois ficar passando na cara. “Se
é pra alegar, é melhor pegar de volta o dinheiro que tu me emprestaste!”
ALGUIDAR s. m. – Vaso
de barro ou de metal, baixo, em forma de tronco de cone invertido, e com
diversos usos domésticos, inclusive armazenagem e na fabricação do tucupi.
ALMENO loc. adv. – Pelo menos. “Tu tens cinco goiabas aí. Me dá almeno uma”.
ALOCÉ adj. – Referente
a quem anda ou está nas nuvens, avoado. “Presta
atenção, Rita! Tá toda alocé hoje”.
ALOPRADO adj. – Exagerado. “O Lanche Filho da Fruta vende sanduíche pequeno, médio, grande e aloprado”.
ALPERCATA s. m. – Sandália. “Me empresta tua
alpercata pra eu ir lá fora, Raoni”.
ALTEAR v. – Aumentar. “Altea aí a TV que não está dando pra ouvir
nada”.
ALUÁ s. m. – Bebida
fermentada, feita a partir do arroz, do milho ou do abacaxi.
ALUADO adj. – Chateado,
emburrado. “Esse menino está aluado hoje.
Não falou com ninguém, não quis comer...”
ALUMIAR v. –
Iluminar. “Te juro pela luz que me alumia
que não sei de nada”.
AMANCEBADO s. m. – Pessoa solteira que vive
maritalmente com outra. "Ela não
casou, não. Só está amancebada".
AMARELO
EMPOMBADO loc. adj. – Indivíduo
fraco, de aparência frágil.
AMIGAR v. – O mesmo
que se amancebar. “Eles não casaram. Não.
Só se amigaram”.
AMO-DO-BOI s. m. – Cantador de toada no Boi-Bumbá.
AMUADO adj. – Emburrado,
mal-humorado. “Desde que a namorada
deixou ele, ele só anda amuado”.
ANDAR NA PINDAÍBA
loc. v. – Andar liso, duro, sem
dinheiro. “Pedir dinheiro emprestado do
Jaime? Coitado... aquele liso é pior do que eu. Só anda na pindaíba”.
ANDIROBA s. f. - Árvore cuja madeira é resistente e da qual se extrai o óleo (cruz-de-andiroba, carma pesado).
ANEL DE COURO
s. m. – O ânus.
ANGU s. m. – Confusão. “Eu saí de lá porque tá o maior angu: todo
mundo querendo brigar”.
ANHANGÁ s. m. –
Diabo, espírito do mal.
APARAR v. – 1 Cortar. “Vou aparar meu
cabelo hoje”. 2 Coletar o papagaio no ar, após cortar. “Ele soltou papagaio ontem. Cortou e aparou mais de dez”.
APERREADO adj. – Apressado, muito nervoso, sem
saber o que fazer diante de uma situação difícil. "Rapaz, tô aperreado com aquele negócio da dívida".
APERREAR v. – Ver Aporrinhar.
APLUMAR v. – Arrumar. “Apluma a cama que
eu vou o bebê pra dormir”.
APODERAR-SE v. – Apossar-se de algo sem permissão. “O pior é que se apoderou da minha camisa e
diz que não devolve mais!”
APOFIAR v. – Apostar. “Vamos apofiar uma corrida até a igreja?”
APORRINHAR v. – Encher o saco. "Pára de me aporrinhar e vai
dormir!"
APRESENTADO adj. – Enxerido, metido a besta. “Deixa de ser apresentado. Quem te deu o
direito de me abraçar?”
APROCHEGAR v. – Aproximar-se.
ARAÇÁ-BOI s. m. – O cheiro adocicado característico do araçá-boi
agrada logo de primeira. Com sua polpa amarelada é possível preparar sucos e
doces deliciosos. O araçá-boi é da mesma família da goiaba e frutifica
precocemente, já aos dois anos. As sementes apresentam dormência natural,
demorando várias semanas para germinar.
ARAPUCA s. f. – Armadilha
para caçar feita de madeira, em forma de pirâmide.
ARDOROSO adj. – Ardido. “A pimenta murupi
é a mais ardorosa de todas”.
ARENGAR v. – Implicar,
brigar. “Acho o Manoel um camarada muito
enjoado. Fica arengando por qualquer coisinha”.
ARIAR v. – Lavar a louça com palha-de-aço. Quando não há, usa-se
areia, daí o verbo.
ARIGÓ s. m. – Cearense.
ARISCO adj. –
Pessoal difícil de envolver nos planos. “Eu
tô muito afim da Luciana. Já faz um tempo que eu tento, mas ela é muito
arisca”.
ARMADOR s. m. – Gancho
para pendurar a rede de dormir. “Não vou
nem levar a rede. Lá não tem armador. Nem adianta”.
ARMAR v. – Paquerar. “Hoje eu tô a fim de armar... vou pras barcas!”
ARRAIAL s. m. – Comércio
de comidas típicas e atividades sócio-culturais para promover um evento ou uma
causa. “Hoje tem o arraia de São Judas
Tadeu”.
ARRANCA-TOCO adj. – Valentão. “Cuidado que o Salgadinho se acha o maior arranca-toco da paróquia”.
ARRANQUE s. m. – Gogó,
blefe. “O Zé só tem arranque. Disse que ia
me ajudar e na hora vazou da área”.
ARRASTAR
ASA loc. v. – Paquerar,
dar em cima de. “Eu acho que essa menina arrasta
uma asa pra ti, gostosão”.
ARREDAR v. – Deslocar-se, mover-se para o lado
para abrir espaço. "Arreda pra lá,
maninha! Esse estofado não é só teu!"
ARREGAÇAR v. – Detonar, destruir. “Pegaram o ladrão lá e o povo arregaçou o
infeliz”.
ARREMEDAR v. – Imitar jocosamente.
ARRENTE pron. – Pronúncia herdada
dos nordestinos de A gente, nós. “Arrente vai lá
com ela”.
ARRIAR v. – Descansar uma carga pesada sobre o
solo. “Arria as caixas aí mesmo”.
ARROMBADO adj. – Muito bom. “Esse som do teu
carro é arrombado! Foi caro?”
ARRUDEAR v. – Dar a volta. “Ninguém entra pela sala. Quem quiser entrar em casa vai ter que arrudear”. ; “D. Zefa, posso entrar pela frente?” “Não, arrudia”.
ARRUMAÇÃO s. f. – Invenção desnecessária. “Deixa
como tá, Bia. Não vem com arrumação que tu vais acabar estragando tudo”.
ARUÁ adj. – Ingênuo. “Só mesmo uma aruá como a Zefa para emprestar dinheiro para o Zé Calote”.
ASA DURA s. f. – Avião.
Usada na região de Parintins. “Não perco
o festival por nada. Vou até de asa dura se precisar, apesar de morrer de
medo”.
ASSANHAR v. – 1 Bagunçar, despentear o cabelo. "Pára de assanhar mais meu cabelo. Ele já tá todo assanhado!"
2 Mexer com o que está quieto. “Não assanha o menino senão ele vai querer
brincar contigo a tarde toda”.
ASSEAR v. – Limpar, tomar banho. “Vou me assear pra dormir”.
ASSUNTAR v. – Ficar atento à conversa alheia.
ATAR v. – Pendurar a
rede de dormir no armador. “Estou com
sono que só. Vou atar a minha rede e tirar um ronco”.
ATARRANCADO
adj. – Sujeito baixo, forte e maceta.
ATÉ O
TUCUPI exp. id. – Até o
máximo possível. “Rapá,
tô até o toco de trabalho”. Variações: Até o talo, Até o toco, Até o tchoco.
ATÉ PARECE... exp. id. – Indica dúvida, incredulidade. “A Priscila vem dormir aqui?! Até parece...
Ela nunca dorme fora de casa.”
ATENTADO adj. – Muito danado, inquieto, levado. “Esse menino é atentado!”
ATENTAR v. – Perturbar, aperrear. “Ei, menino! Pára
de atentar o cachorro!”
ATOCHAR v. – Fazer entrar à força, encher
demais. “O barco tinha que virar:
atocharam mais gente do que cabia”.
ATOLADO adj. – Metido num atoleiro, em
dificuldades. “Estou atolado de trabalho
pra fazer”.
ATRÁS DE loc. prep. – Em busca
de, à procura de. “Vamos atrás de cerveja
que a nossa acabou”.
ATULEIMADO adj. – Abestado.
“Se mimar muito o curumim, ele vai acabar
ficando atuleimado”.
AVALI(E) v. – Quanto mais. “Se o Getúlio namora até mulher feia, avali(e) menina bonita”.
AVIAR v. – Apressar. “Avia! Senão tu vais te atrasar!”
AVOADO adj. – Disperso,
desconcentrado. “Esse menino anda tão
avoado. Acho que tá apaixonado”.
AZARAR v. – Ficar,
namorar, paquerar. “Passei a noite toda
azarando a Nelma. Mas não rolou, não. Ela é muito arisca”.
AZUNHAR v. – Arranhar com as unhas. “Ele
tentou dar banho no gato, se abestalhou e o gato fez foi é azunhar
ele todo”.
B
BABÃO s. m. – Puxa-saco. "Esse Mota é o maior babão que eu
conheço!"
BABA-OVO
s. m. –
Ver Babão.
BABAU s. m. – 1 Punição que um grupo confere a alguém
por um malfeito. Todos batem com as mãos, ao mesmo tempo, na cabeça do
indivíduo. “Fez besteira. Vai levar um
babau por isso!” Ver Sabacu
2 Prejuízo total, perda
irrecuperável de alguma coisa. "Pagou serviço adiantado prum marceneiro? Tu é leso, é? Aí
é babau, mano. É dinheiro perdido!"
BABITA s. f. –
Dinheiro, grana. "E aí? Pegou a babita lá?"
BABUGEM s. m. – Resto de comida. “Cheguei
tarde. Acabou a comida. Só tem babugem na panela”.
BACABA s. f. – Ver Abacaba.
BACABEIRO s. m. – Ver Abacabeiro.
BACIO s. m. – Urinol.
BACULEJO s. m. – Batida policial com
revista geral. “A PM adora dá um baculejo
na galera da Zona Leste”.
BACURAU s. m. –
Pássaro noturno.
BACURI s. m. – 1 Fruta de polpa branco-amarelada
e perfumada que oferece um dos sabores mais sutis e originais da Amazônia.
Dificilmente encontrável in natura
fora da região, mas encontrável em polpa em conserva para sucos e doçaria. 2
Porquinho pequeno 3 Menino.
BAFAFÁ s. m. –
Confusão, rolo, baderna. “A Wanderléa
pegou o marido dela com outra no maior agarro e foi o maior bafafá na rua”.
BAGACEIRA s. f. –
Noitada. “Ontem eu fui pra bagaceira e
cheguei de madrugada”.
BAIACU adj. –
Pessoa gorda. “Pára de comer. Daqui a
pouco está igual a um baiacu”.
BAIÃO-DE-DOIS s. m. –
Comida feita de arroz e feijão-de-praia que
complementa o peixe frito.
BAITOLA adj. – Homossexual.
BAIXA-DA-ÉGUA s. f. – 1 Lugar para onde se mandam pessoas que
estão nos chateando. "Deixe de me
encher o saco, mano. Vá pra baixa da égua!" 2 Lugar distante. “Ela mora lá na baixa-da-égua.
Três horas de ônibus e mais uma de pernada”.
BAIXAR O
SARRAFO loc.
v. – Açoitar violentamente, surrar. "Mexeram
com a irmã dele, ele foi lá e baixou o sarrafo em deus e o mundo".
BAJARA s. f. –
Canoa. “Numa bajara
dessa cabe até cinco pessoas”.
BALA (DA
VIDA) adj.
– Fulo, muito chateado. “Sumiu dinheiro da bolsa da mamãe e ela tá bala da vida”.
BALA s. f. –
Bombom. Guloseima de confeitaria, em geral de chocolate, contendo, às vezes,
recheio de cupuaçu ou castanha. “Quando
eu viajo para Minas, eu levo bala de cupuaçu pra Zuleica”.
BALADEIRA s. f. – 1 Estilingue feito com forquilhas de goiabeira e tiras de borracha de
câmara de ar. “Quando eu era pequeno, matei muito
passarinho com baladeira”. 2 Rede de dormir.
BALDEAR v. – 1 Lavar algo usando um
balde para transportar a água. "Hélio,
vai baldear o pátio antes que teu pai chegue e te dê uma pisa" 2 Vomitar. “Corre, doutor, que o rapaz tá baldeando toda a recepção”.
BALSA s. f. – Embarcação de aço que serve
para fazer a travessia de um lado a outro do rio. “Já vou que ainda tenho que pegar a balsa das sete”.
BANDAR v. – Dividir ao meio. “Ele tava com tanta raiva que ele bandou o cd que ela tinha dado pra ele”.
BANHO s. m. –
Balneário. “Domingo nós vamos pro banho
do Raimundão na rodovia Manaus-Itacoatiara”.
BANHO TECHO
s. m. – Banho
rápido, em que só se lava as partes íntimas.
BANHO-DE-CUIA
s. m. –
1 Gíria futebolística: lençol,
situação em que o jogador, com um leve toque, passa a bola sobre o corpo do adversário e pega do outro lado. 2 Banho com o auxílio de uma cuia feita de cabaça-do-mato (árvore que produz cabaças).
BANZEIRO s. m. – Pequena
onda que se forma nos rios amazônicos por causa do movimento dos barcos
semelhante à onda do mar. “Tive muito
medo na travessia para Benjamin Constant; o banzeiro quase virou a voadeira”.
BAQUE s. m. – Jeito. “O Sandro pode até nem ser, mas que ele tem o baque, ah, tem!”
BAQUEADO adj. –
Doente, fora do normal. “Hoje não fui
trabalhar porque estou meio baqueado”.
BAR DO BOI s. m. – Festa organizada pelos bumbas
em Manaus para arrecadar dinheiro para o Festival de Parintins.
BARCA s. f. – O
povo, todo mundo. “Vai a
barca pro show do Reginaldo Rossi hoje”.
BARGUILHA s. f. – Variação
de Braguilha, zíper.
BARRA-BANDEIRA
s. f. – Brincadeira infantil em que dois grupos disputam uma bandeira ou outro
objeto.
BATE-BOCA s. f. –
Discussão acalorada. “Tava a Maria e
Marta no maior bate-boca em frente à casa do seu Gumercindo”.
BATE-FOFO s. m. – Furão, que falta com o
compromisso assumido.
BATELÃO s. m. – Barco de madeira para transporte de passageiros
e cargas.
BATENDO
BIELA loc. adj. – Exaurido. “Esse ventilador já deu o que tinha que dar.
Já tá é batendo biela”.
BATER À
MÁQUINA loc. v. –
Datilografar. “Demorou porque eu não
tenho computador e tive que bater à máquina”.
BATER CAIXINHA
loc. v.
– Ajudar alguém a conquistar uma pessoa. “Será
que tu podes bater uma caixinha pra tua irmã? Estou afinzão
dela”.
BATER FOFO
loc. v.
– Faltar a um encontro, descumprir algum acordo. "Marquei um encontro com a menina e ela bateu fofo. Esperei, esperei,
esperei e nada".
BATER PERNA
loc. v. – Andar muito. “Minha sogra adora
bater perna no centro”.
BATORÉ adj. –
Baixinho. “Procura por ele lá. O Mauro é
um batoré moreno de perna curta”.
BEIJU s. m. –
Biscoito chato, leve e fino feito com a massa da mandioca.
BEIRADEIRO s. m. – Habitante das
margens do rio.
BEM-FEITA loc. adj. –
Diz-se da pessoa com um corpo bonito. “A Dira é uma caboca bem-feitinha a
danada, não é?”
BEM-MANDADO
adj. –
Obediente, submisso, disciplinado. “O
Zeca é bem-mandado pela mulher dele”.
BENÇA s. f. – Benção. “Já pediu a bença
da tua vó Helena hoje, menino?”
BENZEDURA s. f. – Modo
de curar “quebranto” ou “mau-olhados” através de
orações. “Se não passar a febre desse
curumim, eu vou levar na dona Cora pra uma benzedura”.
BERADEIRO s. m. – Beiradão, gente do interior.
BERIMBELO s. m. – Objeto que não tem nome e que
balança. “Tira aquele berimbelo
dali que dá”.
BIBOCA s. f. – Lugar
esquisito, de difícil acesso. “Eu voltei
do meio do caminho. Fiquei com medo de entrar lá naquela biboca”.
BICÃO s. m. –
Penetra. “Na festa de casamento do
Amarildo no Cassam eu entrei de bicão”.
BICHEIRA s. f. –
Ferida causada pelo parasitismo de insetos. “Vai no Hospital Tropical, Gilson, vê essa tua bicheira que
não sara”.
BICHEIRENTO adj. –
Sujeito a bicheiras. “O Júlio, filho do
Basílio, é um camarada muito bicheirento. Nunca vi
igual...”.
BICHO s. m. – 1 Animal em geral. “A onça é um bicho traiçoeiro”. 2 Adj. Muito bom. “Essa música é o
bicho!”
BICO s. m. – Serviço
temporário informal.
BICUDO adj. – Amuado, zangado. “Não vai sair e não adianta ficar bicuda aí.
Eu sou tua mãe e já decidi que vai ser assim”.
BILHA s. f. – Objeto de barro feito
para guardar água.
BILORA s. f. – Desmaio,
mal-estar. “Ai, tá dando uma bilora em mim...”
BILOTO s. m. – 1 Botão. 2
Saliência carnosa, verruga. “O
André tem um biloto na orelha. Parece o Conde
Drácula”.
BIQUEIRA s. f. - Próximo, perto de. "De tanta besteira que fez, ela tá na
biqueira de ser demitida".
BIRIBUTES s. m. – Coisas
penduradas. “Se tirar os biributes dali, dá para atar a rede”.
BIRRENTO adj. –
Implicante gratuito. “Ô menino birrento
esse Douglas! Não faz as coisas só para implicar”.
BOBÓ s. m. – Carne do pulmão de boi. “A dona Maria faz um bobó delicioso”.
BOCÓ s. m. – Bobo, abestado. “Deixa
de ser bocó e presta mais atenção no que tu tá fazendo!”
BODADO s. m. – 1 Com muito sono, cansado. “Cara, vou dormir. Tô bodado!” 2 Bêbado.
“Leva ele pra casa que ele bebeu todas e
tá muito bodado”. 3 Chateado. “Nem vai falar
com ele porque ele tá bodado desde ontem”.
BODÓ s. m. – Peixe
cascudo, bom para caldeirada.
BODOZAL s. m. – Bairro pobre, periferia. “Lá no bodozal
onde ela mora não tem nem água e nem esgoto”.
BOI s. m. – Festa realizada em Parintins em
que se enfrentam dois bois, o Garantido (Vermelho) e o Caprichoso (Azul). Em
Manaus, nos meses que antecedem o Festival, que acontece no fim de junho, há os
ensaios conhecidos como currais do boi.
BOIOLA s. m. – Homossexual
masculino.
BOITATÁ s. m. – Mito amazônico cujo nome significa "coisa de
fogo", em tupi. O Boitatá é um gênio protetor dos campos: mata quem os
destrói, pelo fogo ou pelo medo. Aparece sob a forma de enorme serpente de
fogo, na realidade o fogo-fátuo, ou santelmo, do qual emana fosfato de
hidrogênio pela decomposição de substâncias animais.
BOIÚNA s. f. – Mito amazônico da Cobra
Grande. Entidade escura, em forma de uma sucuri, que faz virar as
embarcações e engole pessoas.
BOLA s. f. – Rotatória. “Vai direto e, depois da bola, pega a rua do posto”.
BOLADA s. f. – Usado para referir-se ao fato de um
papagaio (pipa) enroscar-se em outro.
BOLE-BOLE s. m. – Brinquedo
com uma pedra amarrada na extremidade de uma linha, com o qual se disputa com o
adversário para ver quem consegue romper a linha do outro.
BOLO PODRE s. m. – Bolo feito
de mandioca ralada.
BOMBOM s. m. – Pequena guloseima de
consistência firme, feita com calda de açúcar aromatizada e acrescida de
corantes, ou de ingredientes com sabores diversos. “Aceita o troco de bombom, moço?”
BONITO PRA
TUA CARA! exp. id. - Usado no sentido de "Tu não
tens vergonha do que tu fizeste, não?” “Não
mexe aí! Quebrou! Bonito pra tua cara!”
BORA exp. id – Vamos. “Bora dar uma volta?”
BORA VER...
loc. v. – Seja o que Deus quiser. “Rapaz, a gente fez o possível. Bora ver...”
BORBOLETA s. f. – Catraca de
ônibus, de cinema etc.. “Ele é pequeno.
Dá para passar por baixo da borboleta do ônibus”.
BORDUNA s. m. – Cassetete.
BORIMBORA interj. – Vamos embora. “A gente não tem mais nada a fazer aqui. Borimbora!”
BOTAR BANCA
Exp. id. – Se
fazer de importante. “Não tem um centavo
no bolso e não quer ajuda... vai botar banca assim lá na baixa-da-égua!”
BOTIJA s. f. – Botijão de gás. “Pega a outra botija pra mim que essa aqui
acabou”.
BOTO s. m. - Cetáceo
dos rios amazônicos. Conhecido por lendas que dizem ser o “boto” o responsável
pela gravidez das garotas ribeirinhas. Expressão usada quando não se conhece o
sujeito de uma ação: “Foi o boto...”.
BRABO adj. – Valente, muito forte. “Cuidado que a correnteza aqui é
braba”.
BREAR v. – Colar. “Quebrou o vaso... agora tem que brear antes
da mamãe chegar”.
BRECHA s. f. – Chance. "Será que tem brecha de eu entrar na festa?"
BRECHAR v. – Olhar pela brecha, espionar. “Quando eu era pequeno, eu costumava brechar as empregadas lá de casa
tomando banho”.
BRECHEIRO s. m. – Quem gosta de brechar. Voyeur.
BREGUEÇO s. m. – Objeto imprestável ou de uso
duvidoso. “E tu ainda guardas esse bregueço?! Joga fora isso, menino!”
BRIBA s. f. – Pequena lagartixa caseira. Provável
corruptela de víbora.
BRINCANTE s. m. – Folião do Boi-bumbá.
BROCA s. f. – Fome. “Vamos almoçar que a broca
está comendo o próprio estômago”.
BROCADO adj. – Pessoa com fome. “Mano, tô brocado! Vamos comer um x-caboquinho?”
BRONHA s. m. – Masturbação masculina. "Esse moleque só vive trancado no
banheiro batendo bronha".
BUBUIA s. m. – Ver Ficar de bubuia.
BUCHO s. m. – 1 Víscera de peixe, mamíferos e répteis. “Tem de tirar o bucho pra comer o peixe” 2 Mulher feia. “Cara, como é que pode?! Tu ficaste com
aquele bucho, mano?”
BUCHUDA adj. – Grávida. “A Fabi está buchuda
de novo. É o sexto...”
BUFA s. f. – Pum sem ruído. “Alguém soltou uma bufa! Tá podre aqui!”
BUFUNFA s. f. – Dinheiro, grana. "Aqui está a farinha. Cadê a bufunfa?"
BULIADO adj. – Arredondado. “É melhor pegar aquela mesa buliada, Marta. A quadrada é perigosa pros meninos”.
BULUFAS s. m. – Coisa
nenhuma. “A professora explicou pra caramba, mas confesso que não entendi bulufas”.
BURITI s. m. – O buritizeiro é uma
das mais vistosas e bonitas palmeiras da flora amazônica. Uma planta adulta
chega a produzir mais de 600 frutos em cada cacho. Os frutos são colocados de
molho por 24 hors pra soltarem a película cor-de-vinho que os envolve e então a
polpa, de coloração amarela, pode ser utilizada para a confecção do "vinho
de buriti", bebida altamente energética. Com a polpa prepara-se também
sorvetes e doces.
C
CABA s. f. – Espécie de vespa cuja ferroada produz dor e febre. “Não joga bola aí porque tem uma casa de
caba bem nessa árvore”.
CABAÇA s. f. – Recipiente usado para armazenar ou transportar água.
CABAÇO s. m. – O hímen. "Essa aí tem cara de que já perdeu o cabaço".
CABAÇUDA adj. – Virgem.
CABEÇA-DURA
adj. – Teimoso, que ninguém consegue fazer
mudar de opinião.
CABIDELA s. f. – Cozido de galinha
feito com o sangue da ave, dissolvido em vinagre.
CABIMENTO s. m. –
Sentido. “Essa história de viajar sozinha
com o namorado não tem cabimento”.
CABOCA s. f. – Mulher. “Aí nós fomos pra festa ver se a gente arrumava umas cabocas pra passar a noite”.
CABOCÃO s. m. –
Alguém que não se comporta direito. “Pára
de falar alto, Liniker! Todo cabocão
o cara, meu!”
CABOCO s. m. –
Pessoa, cara, sujeito. “Aí o caboco chegou lá e falou um monte de coisa”.
CABREIRO adj. –
Desconfiado. “É melhor a gente parar
porque teu marido já está cabreiro”.
CABROCHA s. f. –
Mulher de raça cruzada e cabelos lisos. “Estou
de olho naquela cabrocha ali”.
CACARECO s. m. – Troço velho. “Vai limpar a dispensa, Toni. Tira aqueles
cacarecos e joga fora”.
CACETE (ê) adj. – Maçante, importuno. “Que
aluno mais cacete esse, hein!”
CACHINGAR v. – Puxar de uma perna.
CACHOLA s. m. – Cabeça. “Brincando com álcool e fogo de novo, menino! O que que
tu tens dentro dessa tua cachola, hein!”
CACHULETA s. f. –
Peteleco dado com o dedo na orelha de alguém. “Vai lá, aproveita que ele está distraído e dá uma cachuleta
nele!” Ver Plets.
CACIMBA s. f. – Poço de pouca
profundidade, em que a água mina de uma fonte próxima.
CACOETE s. m. –
Mania. “Cacoete feio esse de falar
piscando os dois olhos, Tadeu!”
CACURI s. f. – Armadilha de
pesca.
CADÊ adv. –
“Onde está?” Existe a variação Quede?
CADILHO s. m. –
Tigela que recebe a seiva da seringueira.
CADUCAR v. – Acariciar criança nova com carinho. “Cadê o pai dela? Tá bem lá caducando com a
menina, né?”
CAGADO adj. –
Sortudo. “O cara é cagado! Ganhou duas
vezes na loteria!”
CAGAR O PAU exp. id. – Fazer algo mal feito, estragar
tudo, colocar alguma coisa a perder, dar mancada. "Tava tudo dando certo. Aí o Junior gritou e cagou o pau!"
CAGA-RAIVA
adj. – Neurastênico, estourado. “O pai da menina é o maior caga-raiva da
paróquia”.
CAIR NA
BURAQUEIRA exp. id. – Cair na
gandaia, ir para a farra. “Babita no bolso, carro novo... eita
que eu vou é cair na buraqueira!”
CAIR PRA
TRÁS exp. id. – Ficar
perplexo e surpreso. “Vou te contar uma
que tu vais cair pra trás: o Zecão é baitola”.
CAITITU s. m. – 1
Pequeno porco-do-mato. 2 Peça principal do
aparelho de ralar mandioca: um cilindro de madeira ao longo do qual se adaptam
serrilhas metálicas, com uma das extremidades conformada em roldana de gorne para a passagem da correia ou corda que imprime a
rotação; rodete.
CAIXA-PREGO
s. f. – Lugar distante. “Para chegar lá
temos que pegar três ônibus. Ela mora lá na caixa-prego”.
CAJÁ s. m. – Fruta
tropical, aromática, muito suculenta, de sabor acido-adocicado
pronunciado, própria para refrescos, caipirinhas, confeitaria. Ver Taberebá.
CALAFATE s. m. – Profissional que veda
ou fabrica embarcações de madeira.
CALAFETAR v. – Vedar com estopa alcatroada (as junturas, buracos
ou fendas de uma embarcação).
CALDEIRADA s. f. – Prato regional feito
com peixe, ervas, legumes, temperos e condimentos.
CALDO DE CARIDADE
s. m. –
Caldo feito com farinha branca, ovos, pimenta-do-reino e sal para dar sustança
ou tirar ressaca. “Será que ela não
melhora se der um caldo de caridade?”
CALIBRADO adj. –
Embriagado, turbinado.
CALOMBO s. m. – Galo, protuberância
inflamada, hematoma.
CALUNDU s. m. –
Mau-humor, zanga. “Hoje a Alice está de
calundu”.
CAMARADA s. m. –
Pessoa, cara. “Aí o camarada disse que
não sabia de nada”.
CAMBADA s. f. –
Bando. “Não quero mais te ver andando com
essa cambada de vagabundo que não quer estudar, meu filho!”
CAMBOTA adj. – Pessoa
que tem os pés para dentro ou as pernas arqueadas.
CAMIRANGA s. m. –
Urubu.
CAMISA DE
MEIA s. f. – Camisa de
malha.
CAMU-CAMU s.
m. – Arbusto
de pequeno porte, podendo atingir até três m de altura, caule com casca lisa.
Folhas avermelhadas quando jovens e verdes
posteriormente, lisas e brilhantes. Flores brancas, aromáticas, aglomeradas em
grupos de três a quatro. O fruto é arredondado, de coloração avermelhada quando
jovem e roxo-escura quando maduro. Polpa aquosa envolvendo a semente de
coloração esverdeada. Frutifica de novembro a março. Aparece predominantemente
ao longo das margens de rios e lagos, com a parte inferior do caule freqüentemente
submersa.
CANARANA s. f. – Capim de
beira de rio ou lago.
CANCELA s. m. – Portão simples,
geralmente com um pedaço de madeira que sobe e desce.
CANDIRU s. m. – Peixe intruso que se
entranha nos orifícios humanos, erigindo as espinhas nas suas guelras e de lá
saindo só após muito esforço ou ação de bisturi.
CANGAPÉ s. m. –
Brinquedo feito com um pedaço de cabo de vassoura e um prego com a cabeça
lixada no asfalto na ponta que se joga no barro como um dardo.
CANGOTE s. m. – Parte
posterior do pescoço. “Me
dá um cheiro no cangote?”
CANGULA adj. – 1 Desengonçado. “O irmão dele é uma alto, troncho, todo cangulão”. 2 Papagaio penso.
CANHÃO s. m. – Mulher feia.
CANOA s. f. – Embarcação para
transporte nos rios.
CANOEIRO s. m. – Quem faz ou quem
comanda a canoa no rio.
CANTO s. m. – Esquina. “Eu moro na Av. João Queiroz canto com a Rua H”.
CAPACHO s. m. – Pessoal servil.
CAPAR O
GATO loc.
v. – Ir embora, sair. "Essa
festa não tá com nada. Acho que vou capar o gato".
CAPAZ! interj. – Até
parece! “Ele disse que vai me levar com ele?! Capaz!”
CAPINA! LAVA!
SACA! interj. – Sai fora! “Quando eu olhei, tinha um monte de moleque
roubando goiaba. Cheguei lá e gritei: Capina! Lava! Lava daqui! Saca,
molecada!”
CAPITÃO s. m. – Bolinho de comida amassada comido com a mão.
CAPOTE s. m. – Vencer num jogo com grande margem. “Ganhamos de capote! Querem
de novo?”
CAPRICHOSO s. m. – Boi-bumbá
de Parintins. O Azul.
CAQUEADO s. m. – Um jeito especial de fazer
alguma coisa, know-how. "Pô! O cara é cheio de caqueado
para trocar o pneu".
CARA DE
TACHO loc. s. –
Desapontado. “Chegou com o presente dela
do dia do namorado e ela tava beijando outro. O coitado ficou com cara de
tacho”.
CARA-DURA adv. – Na cara-de-pau. “Ele veio pedir meu carro emprestado na maior cara-dura”.
CARAMBOLA s. f. – Fruta de sabor agridoce, cor variando do verde ao amarelo, dependendo
do grau de maturação, rica em sais minerais (cálcio, fósforo e ferro) e
contendo vitaminas A , C e do complexo B, a carambola
é considerada uma fruta febrífuga (que serve para combater a febre),
antiescorbútica (que serve para curar a doença escorbuto -carência de vitamina
C, e que se caracteriza pela tendência a hemorragias) e, devido à grande
quantidade de ácido oxálico, estimulador do apetite, sendo ainda usada pela
medicina popular no tratamento de afecções renais. Seu suco, além de possuir um
delicioso sabor, é usado para tirar manchas de ferro, de tintas e ainda limpar
metais. Sua casca, por possuir alto teor de tanino, cujo poder adstringente
pode prender o intestino, é utilizada como antidesintérico.
CARAMINGUÁ s. m. – Dinheiro miúdo. “Tem uns caraminguás aí pra eu comprar o jornal?”
CARÃO s.
m. – Esporro, ralho. "Quebrei a lâmpada e meu pai me deu o maior carão".
CARAPANÃ s . m. –
Pernilongo. “Aqui tá cheio de carapanã!”
CARITÓ s. m. – Lugar onde
ficam as solteironas. “Tem 40 anos e não
casou. Tá no caritó”.
CARNE DE
TETÉU – 1 Qualquer alimento não
macio, que foi pouco cozido. "Essa
galinha tá mais dura do que carne de tetéu. Nem a besta-fera consegue comer
isso". 2
Pessoa difícil, travosa. "A
diretora da escola onde eu estudo é a maior carne de tetéu".
CARNE
MAGOADA s.
– Músculo dolorido. “Joguei futebol ontem
e fiquei com a carne magoada”.
CARNEGÃO s. m. – O olho do
furúnculo. “Fui ao médico sarjar o carnegão ontem”.
CARREGAR v. – Roubar. “O ladrão entrou aqui e carregou tudo...”
CARTAR v. – Exibir-se, ostentando arrogância. “Nem
vem cartar comigo, não, que comigo tu danças”.
CARTAZ s. m. – Renome, fama, notoriedade. “Eu
nem ligo pro que ela diz. Acha que eu vou dar esse cartaz para ela?”
CARTEIRA s. f. – 1 Mesa escolar. “Aline, vai
te sentar na tua carteira para gente começar a prova”. 2 Maço de cigarros. “Vai lá e traz duas carteiras de Carlton pra mim”.
CASA DO SEM
JEITO loc.
adv. – Caso perdido. “Teu caso,
filho, tá na casa do sem jeito”.
CASCALHO s. m. – Beiju. "Se o cascalheiro passar, chama que eu
quero cascalho".
CASCAVIAR v. – Procurar a
fundo. “Se tu cascaviar
tu achas a prova de que ele está te roubando”.
CASCUDO s. m. – Forte pancada na cabeça de
alguém (quase sempre em crianças), com o dedo médio dobrado.
CASQUETA s. f. – Pequeno papagaio (pipa).
CASQUINHA s. f. – Proveito, no sentido sexual. “Vou
lá pra festa par ver se pelo menos tiro uma casquinha de alguém”.
CATAR v. – 1 Tirar piolho. 2 Movimentar
o papagaio para cima e para baixo até que ele suba até a altura que se deseja.
CATARACA s. f. – Meleca. "Vai lavar essa cara imunda, seu nojento. Tua venta tá cheia de cataraca".
CATINGA s. f. – Cheiro forte. “Daqui a gente sente a catinga do igarapé
poluído”.
CATINGAR v. – Feder.
CATOMBO s. m. – Ver Calombo.
CATRAIA s. f. – Pequena embarcação usada para fazer
travessia em riachos urbanos.
CAUXI s. m. – Planta esponjosa que causa
coceira. “Vou nadar aqui não. Tá cheio de
cauxi nesse igarapé”.
CEMITÉRIO s. m. – Jogo de queimada. “Vamos jogar cemitério?”
CERCA-LOURENÇO s. m. – Conversa mole, sem ir direto ao assunto. “Deixa de cerca-lourenço e diz logo o que tu queres comigo”.
CEROL s. m. – Vidro moído aplicado
com cola nas linhas dos papagaios com o intuito de cortar o papagaio
adversário.
CEROTO s. m. – Acúmulo de sujeira na pele por
falta de banho. “Vai tomar banho, menino.
Passou o dia jogando bola e tá com dois cordões de ceroto
no pescoço.”
CHAGÃO s. m. – Drible
rápido e desconcertante no futebol. Drible da vaca. “Viu o chagão que ele levou?! Caiu sentado!”
CHAPADO adj. – 1 Com cecê. “Pô, Armstrong! Não passou desodorante hoje,
não? Tá chapado, meu!” 2 De
porre, bêbado ou sob o efeito de narcóticos. “Chegou quatro da manhã, chapadaço”.
CHECHO s. m. – Calote. “Não vou pagar aquela encomenda que ele me
trouxe, não. Vou ver se eu passo o checho nele”.
CHEGA EU... exp. id. – Que eu
até. “Quando eu vi a freira estava
beijando o padre. Chega eu fiquei pasmo!”
CHEIO DE
CAQUEADO exp. id. – Cheio de
invenção, cheio de presepada desnecessária. “O
cara chegou aqui cheio de caqueado dizendo que fazia
e acontecia e não fez foi nada”.
CHEIRO-VERDE s. m. – Maço de
coentro e cebolinha.
CHIBATA adj. – Coisa muito boa. “Rapá, o filme é
chibata! Vou ver de novo!”
CHIBÉ s. m. – Mistura de farinha, água e
açúcar. "Mãe, posso fazer chibé pra
merendar?"
CHILIQUE s. m. – 1 Desmaio. “Come direito...
depois fica dando chilique aí”. 2 Showzinho ridículo em público. “Ela quis furar a fila. Como não deixaram, ela
deu um chilique dizendo que era juíza. Grandes coisa!”
CHINFRA s. m. – Sujeito afetado, metido a gostoso.
CHIRRADO adj. – Bêbado.
CHISPAR v. – Fugir, correr.
CHOVE-NÃO-MOLHA s. m. – Indecisão. “Vai ou não vai? Fica
aí nesse chove-não-molha que irrita!”
CIPOADA s. f. – Chibatada com cipó. “Ele fez besteira e a mãe largou a cipoada
nele”.
CISMADO adj. – Desconfiado. “É melhor a gente
parar de se ver porque minha mulher já tá cismada contigo”.
COBRINHA s. m. – Fila. "A tia Yá disse que a cobrinha lá no
hospital tava dobrando o quarteirão".
COÇA s. f. – Pisa, peia,
cipoada. “Se fizer isso vai levar uma
coça de mim”.
COCOROTE s. m. – Ver Cascudo.
COCORUTO s. f. – O alto da cabeça. “Meu filho levou uma pedrada no cocoruto que levou dois pontos”.
COLHER (ô) v. – Recolher a linha quando se está
empinando papagaio. "Colhe rápido
antes que a chuva chegue".
COLORAU s. m. – Pó
vermelho feito de urucum para dor cor à comida.
COM BORRA
(E TUDO) exp. id. – Com
tudo. Expressão de exagero e alopro. “A Luciana estava aprendendo a dirigir. Foi
entrar na garagem e pisou no acelerador ao invés de pisar no freio. Aí entrou
com borra e tudo na garagem, arrebentando o carro todo”.
COMBUSTOL s. m. –
Óleo diesel.
COMER
ABIO/ABIU loc. v. – Ficar calado quando a
situação é inconveniente ou desagradável. “Eu
falei o que tinha pra falar. Como ele sabia que tava errado,
comeu abiu e não disse nada”.
COMER
COQUINHO loc.
v. – Ficar burro. “Tu é lesa, é?
Parece que comeu coquinho”.
COMO JÁ
ENTÃO?! exp. id. – Expressão de espanto. “Pegou fogo na casa da vizinha.”. “Como já então?! Assim de repente?!”
CONTRÁRIO s. m. – Denominação
dada ao boi adversário e a seus torcedores no festival
de Parintins.
COPAÍBA s. f. – Árvore da qual se
extrai um óleo com propriedades medicinais. A
copaíba fornece o bálsamo ou óleo de copaíba, um líquido transparente e
terapêutico, que é a seiva extraída mediante a aplicação de furos no tronco da
árvore até atingir o cerne. O óleo da copaíba é um líquido transparente,
viscoso e fluido, de sabor amargo com uma cor entre amarelo até marrom claro
dourado. O uso mais comum é o medicinal, sendo empregado como antiinflamatório natural.
Pelas propriedades químicas e medicinais, o óleo de copaíba é bastante
procurado nos mercados regional, nacional e internacional.
COQUE s. m. – Ver Cascudo.
COROCA s. f. – De avançada idade. “Eu moro com minha sogra, que já tá meio
coroca”. Do tupi curóca, caduco.
CORONEL-DE-BARRANCO s. m. – Homem que manda na região. “Pra resolver as coisas mesmo tem de falar
lá com o coronel-de-barranco da área”.
CORTAR A
CURICA exp.
id. – Matar a intenção no
nascedouro. "Minha mulher queria
pular carnaval, mas eu, como um bom marido que sou, cortei e aparei a curica
dela".
CORTAR E
APARAR exp. id
– Humilhar ou diminuir de certa forma. "Queria
sair hoje, mas meu pai cortou e aparou minha curica".
CORTAR v. – Falar mal de alguém. “Quando eu dou as costas, vocês ficam aí só me cortando, né?”
CORTE s. f. – Pedaço de
tecido para fazer roupa.
COSCA s. f. – Cócega. “Pára que eu tenho cosca
aqui no sovaco”.
COTÓ adj. – Faltando
um pedaço. “O braço dele é cotó. Foi um
acidente”.
COTÔCO – s. m. – Gesto de xingamento que envolve
fechar a mão e esticar o dedo médio.
COURO DE PICA
exp. id. – Expressão que indica
alguma coisa que não se resolve, não ata nem desata. "O noivado desses dois é igual a couro de pica, acaba e volta,
volta e acaba".
COURO
QUENTE loc. adv. – Surrado. “Se não sossegar, menino, tu vais dormir de
couro quente”.
CRENTE QUE
TÁ ABAFANDO exp. id. – Expressão
que indica que alguém acha que está chamando a atenção e não está. “Ela entrou crente que tava abafando com
aquele vestido rosa. Ninguém deu a menor bola pra ela”.
CRICRI adj. –
Pessoa muito chata. “Deixa de ser cricri.
Já disse que depois eu te conto o segredo”.
CRUVIANA s. f. – Ventinho forte na
madrugada, mesmo em noites quentes.
CRUZETA s. f. – 1 Cabide. “Tô precisando de umas cruzetas pra guardar essas blusas”. 2 Falcatrua. “A polícia descobriu uma cruzeta do governador com a empreiteira”.
CU DOCE
s. m. –
Pessoa que se faz de muito difícil, gente besta, pedante. "Quer e diz que não quer. É o maior cu doce que eu conheço".
CUIA s. f. – Fruta
cuja casca dura, limpa da polpa, serve de recipiente para líquidos, como, por
exemplo, o Tacacá.
CUIDAR v. –
Apressar-se. “Cuida, senão a gente vai
chegar atrasado”.
CUIRÃO s. m. –
Menino, curumim. “O cuirão
passou aqui zimpado!”
CUNHÃ s. f. – Mulher.
CUNHANTÃ s. f. –
Garota. “Quem essa é essa cunhantã já?”
CUNHÃ-PORANGA s. f. – Mulher bonita.
Parte do imaginário do Boi-bumbá de Parintins.
CUPUAÇU s. m. – As
sementes de cupuaçu, por seu alto teor de gordura, prestam-se à fabricação de chocolate
e já foram utilizadas para esse fim, em lugar das sementes de cacau. Por esse
emprego, o cupuaçu recebeu no passado nomes como cacau-do-peru
e cacau-de-caracas. Pertencente à família das
esterculiáceas e ao mesmo gênero do cacau-verdadeiro, o cupuaçu é uma árvore de
porte médio, nativa da Amazônia, que passou a ser cultivada em quase todo o
Brasil, exceto nos estados do sul. Os galhos são longos e grossos, mas
flexíveis. As folhas, muito grandes, chegam às vezes a cinqüenta centímetros de
comprimento. É comum encontrar o suco e
o creme de cupuaçu.
CURERA s. f. – A
massa de mandioca mole que, ao sair do espremedor (tipiti), por ser dura e
embolada, não foi coada. É imprópria para a fabricação da farinha. Alguns
aproveitam para fazer mingau.
CURIAR v. –
Bisbilhotar, xeretar. “O que tu tá curiando aí, mulher?”
CURIBOCA s. m. –
Mestiço de branco com índio.
CURICA s. f. –
Espécie de papagaio (pipa) pequeno e sem tala (palitos da armação). “Levantei uma curica hoje só pra brincar”.
CURIMATÃ s. m. – Peixe que se nutre de
vegetais e lodo, também conhecido como papa-terra.
CURITE s. m. – Dim-dim. Usado na região do Alto Solimões.
CURRIOLA s. f. –
Turma de amigos.
CURUBA s. f. –
Ferida. “Rapá,
tô com uma curuba coçando pra burro!”
CURUMIM s. m. –
Garoto, menino. “Cheguei lá na festa e
tava cheio de curumim...”
CURUPIRA s. m. – Ser
fantástico que, segundo a crença popular, habita as florestas e é o protetor
das plantas e dos animais. Referido desde o séc. XVI, o Curupira é descrito
como tendo a estatura de um menino, pele escura e os pés às avessas, isto é,
com os calcanhares para frente; suas pegadas enganam os caçadores e
seringueiros, que se perdem nas florestas. O curupira também faz as pessoas se
perderam imitando gritos humanos. Para não serem incomodados, os seringueiros e
caçadores, adaptando um costume indígena, fazem oferendas de pinga e fumo.
CUSPIR v. – Espanar
a rosca, o parafuso. "Não adianta
que não vai. Essa porca tá cuspida".
CUTUCAR v. – Bater,
tocar com a ponta de qualquer objeto. “Pára
de me cutucar! Não adianta que a fila não anda!”
CUVÃO s. m. – Buraco feito no chão para que se
possa pôr lixo e aterrar.
CUVITEIRO s. m. – Ver Alcoviteiro.
D
DADAU s. m. – Mingau de mamadeira.
DADO adj. – Alguém de fácil trato. “Eu gostei da tua mãe. Gosta de um papo, né? Ela é muito dada”.
DANADO adj. – Endiabrado, malcomportado. "Esse menino não sossega. Égua do
menino danado!"
DANÇA DE
RATO E SAPATEADO DE CATITA loc.
v. – Enrolar, postergar algo. "Deixa
de dança de rato e sapateado de catita e vai logo tomar banho que é
melhor".
DAR A CARA
A BOFETE exp. id. – Apostar.
“Dou minha cara a bofete se ele trouxer o
que ele prometeu”.
DAR AS
CARAS exp. id. – Aparecer.
“Fiquei esperando a noite toda e ela não
deu nem as caras”.
DAR BOLO EM
CATITA exp.
id. – Ser esperto. “Cuidado com o Jurimar. O cara dá bolo em catita. Fica esperto!”
DAR CABO exp. id. – Dar sumiço. “O doido matou a mulher e depois deu cabo do corpo”.
DAR CORDA exp. id. – Dar confiança. “Não dá corda porque depois tu vais te arrepender”.
DAR DE... loc. v. – Começar a... “Agora ele deu de sair tarde todo dia”.
DAR DE COM
FORÇA loc. v. – Atacar. “Olha lá o Jaime! Tá dando de com força no bolo!”
DAR DE MIL exp. id. – Ser muito superior. “O meu carro dá de mil no teu”.
DAR FÉ loc. v. – Dar-se conta. “Ficou de
conversa e quando deu fé já era meia-noite”.
DAR NO PIRA exp. id. – Ir embora, se mandar. “Quando eu
olhei, ela já tinha dado no pira”.
DAR O BALÃO
exp. id. – Fazer o retorno com o
automóvel. “O senhor dá o balão depois
pega a segunda à direita no sinal”.
DAR O BIZU exp. id. – Avisar. “Ele saiu antes dela chegar. Alguém deu o bizu
pra ele...”
DAR O GRAU exp. id. – Fazer bem
feito, caprichar, arrumar, dar o toque final. “Antes de vender meu carro, eu vou dar o grau nele”.
DAR O MAIOR
VALOR exp. id. – Gostar muito. “Eu dou o maior
valor pras músicas da terra”.
DAR O PINO loc. v. – Sair sem pagar a
conta.
DAR PREGO loc. v. – Quebrar,
escangalhar, enguiçar. “O fusca dela deu
prego de novo”.
DAR SINAL loc. v. – 1 Dar seta no carro, indicando
que vai fazer a curva 2 Mandar notícia.
“Boa viagem. Dá sinal de vida, hein!”
DAR TRELA loc. v. – Dar corda, dar
atenção, dar confiança. “Se tu deres
trela para o Ariovaldo, tu vais te dar mal. Esse cara é pilantra”.
DAR UM
CHAGÃO exp.
id. – Esquivar-se. "Fui correr atrás do Rato, mas ele me
deu um chagão que eu caí de bunda no chão".
DAR UM PULO
exp. id. – Ir rapidinho em um lugar. “Mãe, eu vou dar um pulo aqui na taberna e
volto já!”
DAR UMA
CARREIRA exp. id. – Correr. “Eu dei uma carreira, mas consegui pegar o último
ônibus”.
DE BODE loc. adj. – Menstruada. A associação
vem do fato desse caprino, que não gosta de banho, exalar um cheiro muito
forte, semelhante ao cheiro do sangue de origem uterina que ciclicamente a
mulher expele. "Todo mês essa mulher
diz que está doente, mas está mesmo é de bode!"
DE COCA loc. adv. – De
cócoras.
DE COM
BORRA loc. adv. – Expressão que indica intensidade. “A
chuva foi tão forte que água veio de com borra pra cima das casas”.
DE COM
FORÇA loc. adv. – Ver De com borra.
DE LASCAR loc. adv. – Indica algo ruim em intensidade.
“O calor tá de lascar”. “A prova foi de
lascar.”
DE LAVADA loc. adv. – Com grande vantagem. “O São Raimundo ganhou de lavada do Flamengo
ontem: 5 x 0!”
DE MALA E
CUIA loc. adv. – Transferir-se para outro lugar com todos os pertences. “Ela foi de mala e cuia pra casa da mãe.
Deixou o marido mesmo”.
DE MUTUCA loc. adv. – Ligado na conversa alheia,
de ouvidos bem atentos. "É bom ficar
de mutuca na conversa dessa menina..."
DE PIRUADA loc. adv. – Distribuir alguma coisa
jogando para o alto, estilo quem pegar, pegou. "Ele jogou os bombons de piruada".
DE PRIMEIRO loc. adv. – Antigamente, antes. "De primeiro ela falava comigo. Agora
que ficou famoso nem olha".
DE REPENTE loc. adv. – Indica um curto espaço de tempo. “Vou aqui de repente e volto já já”.
DE ROCHA loc. adv. – Com certeza. “Eu vou aparecer lá, de rocha, pode
acreditar”.
DE VEZ loc. adv. – 1
Fruta quase madura. 2 Pra sempre. “Ela
foi embora de vez pro Rio de Janeiro”.
DEBOCHAR v. – Escarnecer, zombar. “Essa aí adora debochar das desgraças dos
outros”.
DEDADA s. m. – Ato de cutucar o bumbum de alguém
com o dedo. "Tava na fila, o filha
da mãe chegou e me deu uma dedada".
DENGO s. m. – Faceirice. “Não fala assim manso com ela que ela fica cheia de dengo”.
DENTRO DA
GARAGEM loc. adv. – No rego da bunda. “A saia dela
tá toda dentro da garagem”.
DERRADEIRO s. m. – O último. "Essa fila tá tão grande que não dá nem para saber quem é o
derradeiro".
DESBOCADA adj. – Que fala
muito palavrão. “A Jaqueline é uma mulher
muito desbocada. Dá até vergonha!”
DESCABAÇAR v. – Desvirginar.
DESCAIR v. –
Soltar a linha quando se está empinando papagaio. "Discai se não ele vai ter cortar na mão. Esse teu cerol é do
colhe ou do descai?"
DESCANSAR v. – Ter neném, parir. “A Rudervânia descansou
ontem. É uma menina”.
DESCAPELAR v. – Cair a pele. “Peguei muito
sol, agora estou descapelando”.
DESCARADO adj. – Cara-de-pau, cínico.
DESCARGA s. f. –
Escapamento. “Cuidado para não queimar a
perna na descarga da moto”.
DESCONFORME
adj. – Grande, demais,
em excesso. “A chuva de
ontem à noite foi desconforme”.
DESCULPA
ESFARRAPADA loc. s. – Desculpa mal fundamentada.
DESEMBESTADO
adj. –
Descontrolado. “Ele saiu daqui
desembestado quando soube que a casa dele tava pegando fogo”.
DESMENTIR v. – Deslocar, luxar, desconjuntar,
destroncar. “Acho que desmenti meu dedo
jogando bola ontem. Preciso puxar o dedo”.
DESMILINGÜIDO adj. - Sem graça, desarrumado,
desajeitado. "O Cara ficou todo desmilingüido quando eu falei que sabia de tudo".
DESONERADO adj. – Com
diarréia. “O Nirou
não vai jogar bola hoje porque ele tá desonerado. Comeu muito ontem”.
DESPLANAVIADO adj. – Desatento,
desmotivado. “Eu não sei mais o
que faço. Todos os meus alunos andam tão desplanaviados”.
DESTROCAR v. – Trocar o
dinheiro em notas menores. “Destroca essa
nota de cinqüenta pra mim?”
DIN-DIN s. m. – Suco congelado no saquinho.
Possui variações dentro do Estado. É conhecido como Flau
(Parintins), Totó (Coari), Vip (Ipixuna), Miau
(Itacoatiara)
DISQUE –
Contração de diz-se que. Consta-se, ao que parece. “A tua irmã já fez a comida? Disque já”.
DISTIORADO adj. – Deteriorado, acabado. “Tem uma casa lá na Cidade Nova, mas tá toda
distiorada...”
DJÚCU adj. – Caboco.
"Os dois irmãos que chegaram são djúco, djúco".
DO MEU TOP loc. adv. – Do meu
tamanho, da minha altura. “Ele é um cara
louro, do meu top”.
DO TEMPO DO RONCA loc.
adv. – Muito velho. “Putz! ‘morcegar’ é
uma palavra do tempo do ronca”.
DO TRISCA loc. adv. – Sensível. “Nem fala com ela que hoje ela está do
trisca”.
DOR DE
VEADO loc. sub. – Dor desviada. Cólica no baço. “Vou
para de jogar! Estou com dor de veado”.
DOS BRINCA loc. adj. – De
brincadeira, apostar sem valer. “Sai
daqui... se eu te pegar eu te como de pancada. Não estou dos brinca, não,
hein!”
DOS VERA
loc. adj.
– De verdade. "Eu não estou
brincando, não. É dos vera".
DRAGA s. f. –
Comilão. “Meu cunhado come demais, rapaz.
O homem é uma draga...”
E
...É
APELIDO exp. id. – É pouco.
“Tu viste a cabeça do Fábio? É grande, né?” “Grande é apelido. Aquilo ali é uma cabeça gigante”.
...E MEIA! exp. id. – Mais do que... “Se ela é chata, tu és chata e meia”.
E EU LÁ
SABIA... exp. id. – Expressão para eximir-se de culpa. “E eu lá sabia que essa cerveja era da
festa? Bebi sem saber...”
É FOGO! exp. id. – Muito
bom ou muito ruim. “Cuidado com esse
menino que ele é fogo!”, “Prova essa pimenta. Ela é fogo. Melhor que qualquer
uma”.
E OLHE OLHE! exp. id. – E olhe lá. “Ele
só faz dois abdominais e olhe olhe”.
Ê, CAROÇO! Exp.
id. – Usada quando alguém se safa por
pouco de uma situação complicada. “Vai
bater! Putz! Ê, caroço! Foi por pouco...”
ÉGUA! interj. – Égua
pode ser usado em várias situações. Tomou um susto: “égua!” Alguém faz algo que você não entendeu: “égua...”. Uma situação estapafúrdia? “Éééguaa, maninho...”. A entonação faz parte do sentido.
EITA PAU! Interj. – Ver Eita porra!
EITA PORRA! Interj. – Expressão
de espanto, admiração. “Eita porra! Pra
que tanta farinha no prato?!”
EMBANANADO adj. – Atrapalhado. "Ajuda ele lá que ele tá todo
embananado".
EMBIOCAR v. – 1 Descer. “Embioca aí senão ela vai te ver aqui”. 2 Cair o papagaio em parafuso.
EMBORCAR v. – Virar de ponta a cabeça. “Aí o barco emborcou com o acidente”.
EMBRENHAR v. – Meter-se
no meio de. “Quando ela viu o pai atrás
dela, ela se embrenhou no meio da mata e sumiu”.
EMBUÁ s. m. – Piolho-de-cobra.
EMPACHADO adj. – Cheio, estufado. "Fui comer muito agora estou
empachado".
EMPAIAR v. – Atrasar. “Tu tá me empaindo
toda. Cuida!”
EMPANZINADO
adj. – Ver Empachado.
EMPATA-FODA
s. m. –
Pessoa que atrapalha os planos dos outros.
EMPERIQUITADO adj. – Enfeitado, arrumado. “Ela foi pra festa toda emperiquitada”.
EMPINAR v. – Fazer subir. “Vamos ver se a gente consegue empinar o papagaio hoje?”
EMPINGE s. f. – Micose. “Tenho que arrumar um remédio pra essa minha empinge.
Tá coçando demais!”
EMPOLADO adj. – Cheio de calombos, caroços, com a pele irritada.
EMPOMBADO adj. – Alguém cheio de orgulho.
ENCANGADO adj. – Pessoa que anda agarrada com
outra o tempo todo. "A mulher dele
não deixa ele sair sozinho. Só vive encangada nele".
ENCASQUETADO adj. – Impressionado. “Ainda estou
encasquetado como é que ela saiu e eu não vi”.
ENCOSTO s. m. – Pessoa pegajosa.
ENCRUADO adj. – Travado, trancado, que não anda ou não cresce.
ENFEZADO adj. – Chateado.
“Ele ficou enfezado porque não atenderam ele direito”.
ENFIADA s. f. –
Quantidade de peixe vendida junta num fio.
ENGANCHAR v. – Engatar. “Tava
descendo do ônibus quando minha sandália enganchou na escada”.
ENGILHADO adj. – Enrugado. “Quando a gente fica muito tempo na piscina, o dedo fica todo engilhado”.
ENGÜIAR v. – Ter ânsia de vômito. "Quando eu vi o rato morto, eu engüei na hora".
ENJOADO adj. – Metido a besta. “O carinha
enjoado pra fazer negócio...”
ENTÃO
PRONTO! exp. – Expressão que indica fim de argumentação. “Não acredita em mim? Então pronto! Fazer o quê?...”
ENTOJO s. m. – Enjôo, nojo. “Não vou nem falar com ela que hoje ela está
um entojo só”.
ENXERIDO adj. – Metido onde não é chamado. "Eu te perguntei alguma coisa? Então
deixa de ser enxerida!"
ENXERIMENTO
s. m. – Intromissão, atrevimento, gabolice.
ENXERIR v. – 1 Meter-se. “Não vem se
enxerir nisso que não é da tua conta!” 2
Aparecer. “Ela comprou um carro novo
só para se enxerir”.
ERAS... interj. – Usado para momentos de
perplexidade. “Eras... deixei meu carro aqui...cadê ele?”
ÉRASTE,
MANINHO! interj.–
Expressão de surpresa. “Votou nesse
deputado aí? Éraste, maninho...”
ERRADO adj. –
Embaraçado, sem jeito. “Fiquei todo
errado quando ela me pegou com mão na massa”.
ESBANDALHAR v. – Quebrar. “Deixei minhas ferramentas com ele e ele esbandalhou tudo!”
ESCABREADO adj. – Desconfiado. “O Chico está escabreado com a mulher dele.
Chega tarde toda noite”.
ESCALADO s. m. – Penetra. “Ele não foi convidado.
Foi de escalado”.
ESCALDADO adj. – Esperto. “Ele não me engana, não. Sou escaldado”.
ESCAMBAU s. m. – 1 E o resto. “Ele trouxe pra
festa a mulher, os filhos, o cachorro e o escambau!”
2 Expressão
de indignação. “Ele vai
no meu lugar um escambau!”
ESCANCARAR v. – Abrir às claras. “Quando foi demitida, a mulher escancarou as
falcatruas do chefe”.
ESCANGALHADO adj. – Quebrado, sem funcionamento. “Essa televisão está escangalhada. Tem de
mandar consertar”.
ESCROTO adj. – 1 Malvado, chato. “Aquela professora é muito escrota. Não dá
mole”. 2 Quando falada arrastada, a palavra tem sentido positivo, de
elogio, de algo ou alguém muito bom. “Doutora escrooooooota
essa aí! Deu remédio certo e curou o menino na hora.”
ESCULACHO s. m. – Esporro, esculhambação, ralho.
ESCULHAMBADO adj. – Ver Escangalhado.
ESGALAMIDO adj. – Guloso, comilão.
ESPAÇOSO adj. – Confiado,
enxerido, atrevido, petulante, pessoa invasiva. “A Ermelinda quer saber de tudo. Ela é muito
espaçosa pro meu gosto”.
ESPAGUETE s. f. – Espacato. “Ela tem
uma flexibilidade. Faz um espaguete que ficar retinha
no chão”.
ESPIA SÓ...
interj. – Interjeição que
antecede algum comunicado. Usada para chamar a atenção do interlocutor. “Espia só... eu vou precisar da tua ajuda”.
ESPIAR v. – Olhar. “Vou espiar a Mariazinha tomando banho”.
ESPOCAR DE RIR
exp. id. – Rir até não agüentar,
rir muito. “Contei aquela piada e aí ela
se espocou de rir”.
ESPOCAR v. – Estourar, arrebentar com ruído,
estalar. “Pára de comer, Yara! Tu vais espocar, mulher!”
ESPORA s. m. – Pessoa ruim, malvada ou
insensível. “Poxa, maninha, deixa de ser
espora... me empresta tua caneta rapidinho”.
ESTAQUEADO adj. – Cabelo repicado. "O Xororó,
pai da Sandy e do Junior, tem o cabelo estaqueado".
ESTE UM exp.– Modo de se referir a alguém cujo
nome é desconhecido ou que se quer denotar desprezo. “Olha já este um... Cheio de coisa.”
ESTICADO adj. – Ver Espaçoso.
ESTIRÃO s. m. – Caminho cumprido. “É melhor sair
mais cedo porque daqui até lá é um estirão danado”.
ESTOFADO s. m. – Sofá.
ESTREPAR v. – Ferir, se dar mal. “Ele foi pular o muro alto e se estrepou
todo”.
ESTROMPADO adj. – Aloprado.
EXTRATO s. m. – Perfume. “Vou dar um extrato da
Avon de presente pra ela”.
F
FACADA s. f. –
Pedido de dinheiro. “O cara não trabalha
e vive de dar facada nos outros”.
FACHO s. m. – Animação. “Baixa o facho porque a gente não vai poder
sair hoje, não”.
FACULTÁRIO adj. – Quem
faz faculdade. “Ele trabalha de dia e de
noite ele é facultário”.
FALAR DE
BARRIGA CHEIA loc. v. – Falar sem razão. “Tu falas de barriga cheia! Pelo menos tu
tens onde dormir e o coitado, que perdeu tudo com a enchente”.
FALSIPAR s. f. – Malária muito
violenta.
FANTA adj. – Sem
graça, fraco. “Esse filme é muito fanta. Me arrependi de ter vindo”.
FARDA s. f. –
Uniforme escolar. "Não vai sujar tua
farda, Gilvaney! Só tem essa!"
FARINHA s. f. – Raiz da mandioca triturada e secada até fazer
grão ou farinha grosseira. Se come com tudo.
FARINHA-D’ÁGUA – Tipo de
farinha fina.
FAROFA s. f. – Farinha preparada com manteiga, gordura ou, às vezes, ovos.
FAROFA-DO-CASCO s. f. – Farinha-d’água assada no casco da
tartaruga após a retirada dos ovos, vísceras e carne.
FAROFEIRO s. m. – Contador de histórias.
FAZENDA s. f. – Ver Corte.
FAZER A CAVEIRA loc. v. – Falar mal de alguém. “Ela não gosta de mim. Sempre que puder ela vai fazer a minha caveira”.
FAZER HORA loc. v. – Passar o tempo. “Vou à livraria fazer hora. Depois te pego”.
FAZER
INFERNO v. – Fofocar, fuxicar. “Ela não tinha nada que ir lá com o papai
fazer inferno. Por que que ela contou pra ele?”
FAZER MAL loc. v. –
Desvirginar uma moça. “Quem fez mal pra
filha do seu Alencar? Se ele pegar, ele mata!”
FAZER MEUÃ
exp. id.
– Fazer careta, cara feia, geralmente para intimidar. “E não adianta fazer meuã pra mim que eu não
tenho medo de cara feia”.
FAZER PEZINHO
v. –
Fazer embaixada com a bola. "Vamos
ver quem faz mais pezinho?"
FECHICLER s. m. –
Zíper, fecho Éclair.
FEZ FOI É exp. id. – O que ele/ela fez foi. “Pensei que ela ia gostar das flores. Ela
fez foi é jogar no chão”.
FÊMEA s. f. –
Designação genérica para as mulheres, especialmente as disponíveis para o sexo.
“O Gerfran se
deu bem em todas as noites do festival; cada noite pegou uma fêmea diferente”.
FERRADO adj. – Sujeito que se deu
ou vai se dar mal de alguma forma. “Se o pai dele descobrir que ele pegou a
moto sem pedir, ele tá ferrado”.
FERRO DE
ENGOMAR s. m. – Esquina com
bifurcação triangular. “A loja fica lá
naquele ferro de engomar da rua Silva Ramos canto com Japurá”.
FICAR DE BUBUIA
exp. id.
– Ficar sem fazer nada, ficar flutuando na água. “E aí, Zé, nadando um pouco?” “Não. Tô só aqui de bubuia
um pouquinho”.
FICAR DE
MAL loc. v. – Ficar sem
falar com alguém.
FICAR NA
PORRONCA loc. v. – Ficar sem
fazer nada. “A melhor coisa do mundo é
entrar de férias e ficar na porronca...”
FICAR
SENTIDO exp. – Magoar-se.
“Não precisava gritar com a menina, Gualter. Ela ficou sentida...”
FILÉ adj. – Pessoa
bonita, desejável. “Essa menina é muito
filé!”
FILHO DE UMA
ÉGUA exp.
– Xingamento dirigido a alguém que nos irritou.
FININHA s. f. – Diarréia.
FLECHAR v. – Ato de catar o
papagaio em linha reta.
FOFOBIRA s. f. –
Coceira na vagina. “Que diabo que ela não
tira a mão dali! Tá com uma fofobira federal!”
FOI MAL! exp. id. – Utilizada para pedir desculpa
por algo não intencional. “Foi mal, aí, Denildes. Não quis ofender, não!”
FOI? interj. –
Pergunta que pede confirmação por causa de certa incredulidade. “Aí ele sentou a porrada nela”. “Foi?” “Foi.
E ela gostou”.
FOLÓ adj. –
Frouxo. “O parafuso não cabe nessa rosca.
Ela é muito grande. Fica foló”.
FOLOTE adj. –
Variação de Foló.
FOMINHA adj. – Pessoa
egoísta, que quer tudo para si. "Deixa
de ser fominha, meu. Divide essa coca-cola com a gente".
FONAS! interj. –
Utilizada no jogo de bolinha de gude. Quando o sujeito quer ser o último a
jogar, ele grita: “Fonas!”
FORA A PARTE loc. adv. – A mais, em separado. “Pode fechar a conta. Mas a coca-cola aqui é
fora a parte”.
FORMAR v. –
Menstruar pela primeira vez. "Minha
filha se formou ontem".
FORROBODÓ s. m. –
Encontro para dançar. “Vai ter um
forrobodó lá na academia do Tom”.
FRESCAR v. – Encher a
paciência, encher o saco. “Não fresque não que hoje eu não tô pra brincadeira!”
FUÇA s. f. –
Rosto, cara. “Levou uma bolada na fuça”.
FUÇAR v. – Mexer, tirar de
ordem.
FULEIRAGEM s. f. – Porcaria, coisa ruim. “O
filme é a maior fuleiragem”.
FULEIRO adj. – Ordinário, ruim. Mas pode ser também pessoa muito
irreverente, brincalhão, depende do contexto. "O cara é muito fuleiro, só falta matar
a gente de rir".
FURO s. m. – Comunicação
natural entre dois rios ou um rio e um lago. Transitável em época de cheia.
FURRECA adj. – Coisa sem valor. “Joga fora essa calça furreca
e compra outra”.
FURUNFAR v. – Praticar o ato
sexual.
FUTRICAR v. – Mexer,
investigar, fazer confusão. "Essa
mulher vive futricando a minha vida".
FUXICAR v. – Fofocar.
FUXIQUEIRO adj. –
Fofoqueiro.
G
GABOLA adj. –
Esnobe.
GABOLICE s. m. – Orgulho besta. “Só porque ele passou no vestibular agora
virou o diabo das gabolices”.
GAGAU s. m. – Mingau de mamadeira.
GAITADA s. f. – Risada.
GALA s. m. – Esperma.
GALALAU s. m. – Menino ou rapaz muito alto. "O cara já é um galalau
e quer jogar com a gente".
GALERA s. m. – 1
Grupo de maus elementos que atacam em bando. 2 Torcida
do Boi-Bumbá de Parintins.
GALEROSO s. m. – Membro de
galera.
GAMBÃO s. m. – Soldado, militar, meganha. “A briga acabou quando chegou um bando de gambão botando moral”.
GAMBIARRA s. f. – Remendo, gatilho, serviço
improvisado. “Como a corda quebrou, ele
fez lá uma gambiarra pra puxar o carro”.
GAMBITO s. m. – Perna fina. "Aquela mulher é muito feia. Olha os gambitinhos dela".
GANCHO s. m. – Cabide.
GANHAR O
MUNDO v. – Sair para passear.
GARANTIDO s. m. – Boi-bumbá de Parintins. O vermelho.
GARITÉ s. m. – Canoa.
GARRAFADA s. f. – Pajelança feita por curandeiros em que se mistura ervas e essências
medicinais com o objetivo de curar doenças e descarregar maus fluidos.
GASGUITA adj. – Esganiçado. “A voz da minha cunhada Andréa é muito gasguita. Irrita qualquer um!”
GASTURA s. f. – Enjôo.
GATIADO adj. – Diz-se do olho puxado. “Ontem saí com uma morena dos olhos gatiados”.
GATO s. m. – Ligação clandestina de energia elétrica ou outro serviço pago. “Nesse bairro ninguém paga luz. Todo mundo
puxou um gato”.
GAZETAR v. – Matar
aula. “Vamos gazetar
hoje pra ir pro cinema?”
GIGOLETE s. f. – Tiara.
GIRAU s. m. – Pia rústica e improvisada. A fonte
de água, na maioria dos casos, é um balde com água do
igarapé. Serve para tratar o peixe, lavar mãos etc..
GITO adj. – Pequeno. Contrário de maceta. “É um professor assim gitinho,
de óculos”.
GORAR v. – Dar
errado. “O passeio gorou. Tá caindo a maior chuva”.
GORGULHO s. m. – 1
Pedra pequena de leito de rio. 2 Caruncho de grãos de arroz, feijão, etc..
GORÓ s. m.
– Bebida alcoólica.
GOROROBA s. f.
– Comida improvisada, misturada.
GRAFITE s. m. –
Lapiseira. “Me empresta
o teu grafite que meu lápis quebrou a ponta”.
GRANDES COISA! exp. id. – Expressão de desdém. “Ele chegou
e disse que eu tinha que atendê-lo logo porque ele era advogado. Aí eu disse:
‘Grandes coisa ser advogado. E eu sou garçonete e daí?”
GUAÍPECA adj. – Baixinho.
GUARAMIRANGA s. m. – Barco
que nunca chegou. “Demorou muito! Veio no
Guaramiranga?”
GUARANÁ s. m. – O
guaraná é um fruto utilizado como estimulante e revigorante. Hoje em dia o
uso da semente do Guaraná se alastrou como fitoterápico rico em cafeína e
estimulante do sistema nervoso central. Além da cafeína, a semente do
Guaraná contém amido, óleo fixo, ácidos cafeo-tânico
e matérias aromáticas, resinosas e pépticas. O Guaraná também é usado como
tônico geral e no combate ao estresse.
GUARIBA s. f. – Espécie de macaco.
GUARIBAR v. – Dar uma
melhorada disfarçando os defeitos de alguma coisa. "Vou dar uma guaribada no carro antes de
vender".
GUEGUETE s. f. – Mulher,
moça, garota. “Vou deixar aquela gueguete em casa depois volto pro futebol, falou?”
GUENZO s. m. – Desajeitado. “Vai sair assim, guenzo desse jeito?!”
GUGUENTO adj. – Pessoa
feridenta, nojenta, cheia de marcas na pele. “Eu nunca namoraria com a Waldemarina.
Ela é toda guguenta, cheia de espinha”.
GUISAR v. –
destruir, destroçar (um papagaio). "Vou
dá uma porrada no merda que guisou o papagaio do meu irmão".
GURUPEMA s. f. – Peneira.
H
HAVERA v. – Haveria.
“Ele veio aqui dizendo que tu que tinhas mandado... o que que eu havera de dizer”.
HILÉIA s. f. – A
floresta amazônica, segundo denominação de Alexander von Humboldt (1769-1859), naturalista alemão, e Aimé Goujaud Bonpland
(1773-1858), naturalista francês.
I
IACÁ s. m. – Quelônio da família das tartarugas.
IGAPÓ s. m. – Floresta pantanosa, encharcada
e sombreada pelo mato.
IGARA-AÇU s. f. – Canoa grande.
IGARA-MIRIM
s. f. – Canoa pequena.
IGARAPÉ s. m. – Pequeno rio, riacho, arroio.
IGARITÉ s. m. – Canoa grande e forte.
IGUALZINHO adj. – Muito semelhante. "Ele é igualzinho ao pai dele".
ILHARGA s. f. – Ao lado. “Fica logo ali, na ilharga da igreja”.
IMPINGE s. f. – Pira,
mancha no corpo. Ver Empinge.
IMPLICAR v. –
Incitar discussão. “Deixa de ser
implicante! Tu adoras implicar com tua irmã, né?”
INCANDIADO adj. – Ofuscado pelo brilho. “Quando aquela menina bonita entrou, eu
fiquei incandiado”.
ÍNGUA s. f. – Caroço embaixo do braço que indica que o corpo está sofrendo uma
inflamação, gânglio.
INHACA s. f. – Cheiro forte e ruim.
INVOCADO adj. – Difícil de entender, de fazer,
etc. “Esse brinquedo é invocado, né?” “Égua! Ele saiu com uma e voltou com outra?
Invocado...”
IPADU s. m. – Mingau feito com pouca água,
consistente e grosso.
IR PRAS
BARCAS – exp. id. – Sair
para curtir. “Hoje é sexta. Dia de
esquecer o trabalho e ir pras barcas!”
ITAMARACÁ s. f. – A zona do baixo meretrício em
Manaus.
IXE! interj. – Expressão de estranhamento,
tédio ou repugnância. “Eu adoro feijão no
pão”. “Ixe!”
J
JABÁ s. m. – Charque.
JABURU s. m. – Pessoa feia. “Não me diz que tu tá saindo com aquele jaburu, Jaime?”
JACINTA s. f. – Libélula. “Meu irmão gostava de pegar jacintas, amarrar uma linha nelas e deixar
voar de novo”.
JACUBA s. f. – Pirão feito com água, farinha e
açúcar ou mel.
JACUMÃ s. m. – Direção da canoa com o remo de
mão numa das extremidades. “Nós vamos é
no jacumã daqui até lá”.
JARAQUI s. m. – O peixe mais popular de Manaus.
JERIMUM s. f. – Abóbora.
JIQUITAIA s. f. – Pequena formiga de picada
dolorosa.
JIRAU s. m. – Pia rústica e improvisada. A fonte
de água, na maioria dos casos, é um balde com água do
igarapé. Serve para tratar o peixe, lavar mãos etc..
JIRIMUM s. f. – Abóbora.
JOGAR NO
MATO loc. v. – Jogar fora.
JUNTAR OS
PANOS exp. id. – Ir morar
juntos.
JUNTAR v. – Catar, pegar no chão.
“Junta os brinquedos do chão”.
JURURU adj. –
Cabisbaixo, tristonho, abatido. “Por que
ela está jururu?” “Porque o ex-namorado casou”.
K
KAMIRANGA s. m. – Urubu.
KETCHBACK s. m. – Um lance amoroso, rolo. “Tive uns ketchbacks
com ela no passado”.
KIKÃO s. m. – Cachorro-quente.
L
LÁ VAI! exp. id. – Expressão equivalente a “lá vem
você falar nisso de novo”.
LÁBIA s. f. – Papo,
conversa. "Ele levou a menina
na lábia".
LAMBANÇA s. f. – 1 Gabolice, bazófia, fanfarrice. “Ele falou que era rico?! Haha... pura
lambança...” 2 Serviço mal realizado, sujeira. “Vou ter que pagar pra consertar o carro de
novo. O outro mecânico foi mexer sem saber e fez a maior lambança”.
LAMBUJA s. f. – Extra, vantagem,
bônus. “Vamos jogar? De dou dez pontos de lambuja”.
LAMPARINA s. f. – Pequeno candeeiro
feito de lata de cerveja ou leite em pó, com um pavio de algodão embebido em
querosene.
LAMPARINADA
s. f. – Uma dose de cachaça. “E aí, caboco? Topas dar uma lamparinada?”
LANCHE s. m. – Lanchonete. "Tô brocado. Vou ali ao lanche pegar um
x-caboquinho".
LANTERNAGEM s. f. – Funilaria de
veículos.
LANTERNEIRO s. m. – Funileiro de
veículos, que conserta lataria.
LAPA s. f. – Grande, imenso,
desproporcional. “O Ângelo tem uma lapa
de pé, meu amigo! Calça 45!” “Sabe a orelha do Abraão? É uma lapa, meu!”
LAPISEIRA s. f. –
Caneta esferográfica. “Preciso de uma
lapiseira pra assinar um cheque. Serve Bic”.
LATEJAR v. – Pulsar.
“Prendi meu dedo na porta e ele tá
latejando”.
LAVADA s. f. –
Vantagem.
LAVAR A
ÉGUA ou LAVAR A BURRINHA loc. v. – Levar
vantagem, gozar um momento de felicidade, ganhar com sorte alguma coisa, algum
prêmio. "Ele ganhou na loteria e
lavou a burrinha. Comprou tudo que tinha direito".
LAVAR DA
ÁREA loc. v. – Ir embora
de onde se está rapidinho.
LAVAR URUBU exp. id. –
Estar desempregado. “Pois é. Faz seis
meses que ele tá lavando urubu. Serviço que é bom: nada”.
LAVOURA s. f. –
Ganhar tudo na bolinha de gude.
LAZARENTO s. m. – Infeliz.
LEGUELHÉ s. m. – João-ninguém. “Liga
pra essa cara, não. É o maior leguelhé”.
LENGALENGA s. f. – Enrolação, indecisão.
“Decide logo! Fica aí nessa lengalenga...”
LEPROSO s. m. –
Pessoa que de alguma forma desagrada.
"O juiz não marcou esse pênalti! Ah, leproso!"
LESO adj., LESEIRA
s. f. –
Leso é alguém que sofre de leseira. Leseira é um abestalhamento
momentâneo que acomete o leso. Se a leseira for uma
característica contínua, dizemos que o leso sofre de leseira
baré. Dizem que a leseira
baré ocorre entre os amazonenses devido ao sol quente
na cabeça, que queima alguns neurônios. Temos ainda as expressões derivadas:
“Deixa de ser leso!” e “Pára de leseira!” Dizem que
todos os amazonenses têm três minutos de leseira por
dia. Mas como tudo tem seus dois lados, dizem também
que o sol também causa nos amazonense o tesão
de mormaço, um aumento na capacidade sexual devido ao sol quente.
LEVANTADOR
DE TOADA s. m. – Cantor de
toada de boi.
LEVAR UMA
QUEDA loc. v. – Cair,
levar um tombo. “A tia Teca escorregou e levou uma queda! Se quebrou toda”.
LIBRINAR v. – Chuviscar. “Pede pros meninos entrarem, Dalva. Tá librinando”.
LIGA s. f. –
Elástico de amarrar dinheiro. “Preciso de
uma liga pra amarrar esse maço de notas de dez”.
LISO adj. – 1 Sem dinheiro. "Eu não vou poder ir pro cinema porque hoje eu tô liso". 2 Escorregadio. Ver Arisco.
LOMBRA s. m. – 1 Sono de bêbado ou drogado. 2 Coisa
indefinida. “Mas que lombra
é essa agora, meu irmão?”
LOMBRADO adj. –
Bêbado, fora de si. “Esse cara só pode tá
lombrado pra fazer isso...”
LOROTA s. f. – Mentira.
M
MACACA s. f. – Amerelinha.
“Vamos pular macaca?”
MAÇARANDUBA s. f. – Árvore da familia dos ébanos, que produz madeira de lei de cores
avermelhado até vermelho escuro.
MACAXEIRA s. f. – Mandioca comestível, aipim.
MACETA adj. – Grande, imenso, de proporções
anormais. “Eu disse que ia lá brigar com
ele e quando eu olhei o cara era macetão. Saí
fora...”
MÃE-DÁGUA s. f. – Entidade mítica que habita os rios.
MAIOR PALHA loc.
adj. – Muito ruim. “Esse cantor é
a maior palha”.
MAIS conj. adit. – E. “Pode deixar que eu mais o Richardson vamos comprar o gelo”.
MALEITA s. f. – Febre, malária.
MAL-ENCARADO
adj. – Pessoa suspeita ou estranha.
MALINAR v. – Reinar, fazer malvadeza gratuita,
como, por exemplo, beliscar um bebê porque ele é muito fofo. “Ele é tão fofinho que dá vontade de malinar com ele”.
MALOCA s. f. – Aldeamento de índios.
MALUVIDO s. m. – Mal comportado. “Que menino maluvido!”
MAMADA s. f. – Mamadeira de leite. "Eu tenho que preparar a mamada do Clauzionor Junior".
MANCADA s. f. – Equívoco lamentável. “A gente ia
conseguir enganar a Zilma, mas o Zeca deu mancada e ela percebeu que era mentira”.
MANCHETE s. f. – Na vista. “Disfarça e não dá manchete que a gente tá aqui”.
MANDIOCA s. f. – A grossa raiz comestível da maniva. Macaxeira.
MANDUQUINHA s. f. – Camburão de polícia. “Maior porrada rolando, aí chegou a manduqinha e levou um bocado”.
MANEIRO adj. – 1 Leve, fácil de manobrar. 2 Muito legal. “Esse
barquinho aqui é maneiro”.
MANGAR v. – Fazer pouco de alguém. "Eu bati nela porque eu caí e ela ficou
mangando de mim".
MANGARATAIA s. f. – Gengibre.
MANJA s. f. – Brincadeira de criança. Há a
manja-esconde, manja-pega, manja-trepa, entre outras.
MANO voc. – Tratamento carinhoso entre
conhecidos ou não. Muito usado para fazer perguntas e pedidos. “Mana, faz um favor pra mim?” “E aí, tudo
bem, mano?” Variações no diminutivo: maninho,
maninha.
MANTEIGA DE
TARTARUGA s. f. – Feita com gordura
extraída dos ovos da tartaruga.
MANTEIGA-DERRETIDA
s. f. – Pessoa chorona.
MÃOZADA s. f. – Tapa. “Vem de novo aqui que tu vais levar uma mãozada!”
MAPINGUARI s. m. – Entidade que habita a floresta com forma de um grande macaco cabeludo com
um olho só na testa. Segundo a
lenda, é ele um terrível inimigo do homem, a quem devora. Mas devora somente a
cabeça.
MARMANJO s. m. – Pessoa
crescida, adulto. “Meu filho já tá um
marmanjo”.
MARMOTA s. f. – Invenção,
arrumação, trapaça. “Deixa de marmota e
te aquieta...”
MAROMBA s. f. – Jirau elevado, feito com troncos ou madeira, para deixar a salvo animais
domésticos, plantas e pertences dos ribeirinhos, durante as enchentes.
MÁRRAPÁ! exp. id. – O mesmo que “Olha já!” “Me empresta teu carro?” “Márrapá! Claro que
não!”
MARRETEIRO s. m. – Vendedor ambulante.
MAS QUANDO?!
interj. – Ver “Tem mil!”
MAS! interj. – Pronuncia-se "Mách". Interjeição de ênfase. “Tem muita mulher aqui?” "Mách! Só
tem!"
MASSA FINA
s. f. – Pão de leite. “Eu gosto de pão leve, de massa fina”.
MASSA GROSSA
s. f. – Pão francês. “Compra dois pães de massa grossa”.
MASSETA adj. – Ver Maceta.
MATEIRO adj. – Habituado a meter-se no mato ou
lá passar parte do dia.
MATUPÁ s. f. – Barranco dos rios com vegetação desenraizada que fica boiando conforme o
nível do rio.
MEGANHA s. m. – Forma depreciativa de se
referir a um soldado de polícia. "Esse
cara não passa de um meganha!"
MEIGA adj. – Mulher fácil. “A Martinha é
meiga. Meigalinha...”
MEMBECA s. f. – Espécie de grama que se desenvolve as margens dos igarapés, lagos e
rios.
MENINO BARRIGUDO
exp. id. – Um leso, que só faz
besteira. “Pára de meter o dedo no bolo,
Nelson! Tamanho paideguão e parece um menino
barrigudo!”
MERENDA s. f. – Lanche. “Vou bem ali comprar uma merenda que estou brocado”.
MERENDAR v. – Lanchar.
MERMO adj. – Corruptela de "mesmo". Pode ser usado para
exprimir dúvida ou confirmação. “Ele vai
sair hoje, vai?” “É o que vai mermo...” “Não, ele vai
mermo”.
MERRECA s. m. – Alguma coisa muito pouca,
sobretudo dinheiro, mixaria. "O
salário mínimo desse governo é uma merreca!”
MERUÍM s. m. – Inseto de picada dolorosa.
Transmite a filariose.
METER O PAU
loc. v. – Falar mal de alguém. "A vizinha meteu o pau na sogra”.
METIDO adj. – Boçal. “Não gosto dela não. É muito metidinha pro meu gosto”.
MEU GRANDE
voc. – Tratamento para
desconhecidos. Pode ser utilizado intercambiavelmente
com “mano”. “E aí, meu grande. Tudo bom?” “Fica de olho aí no meu carro, falou, meu grande?”
MEXER v. – 1 Chamar alguém que vai passando. “Olha a Maria do Céu ali! Vou
mexer com ela: Cééééééééééu!” 2 Manter relações sexuais. “O
Félix mexeu com a moça, agora vai ter de casar”.
MIJACÃO s. m. – Bolhas de
água. “Eu estou com mijacão
nos pés”.
MILHITO s. m. – Salgadinho de saquinho. Seu uso
foi estendido a partir do salgadinho da marca Milhitos
Jack’s, de fabricação local.
MINGAU s. m. – Preparado rico em carboidratos a base de arroz, milho, banana ou
farinha de tapioca extraída da macaxeira.
MIOLO-DE-POTE s. f. – Conversa fiada.
MIRAÇÃO s. f. –
Alucinação. “Fica aí tomando esses chás
pra ver se tu não começa a ter miração”.
MIRATINGA s. f. – Árvore cujo ramo tem forma de um pênis.
MOCORONGO adj. – 1 Desajeitado. 2 Natural de
Santarém (PA).
MOFINEZA s. f. – Fraqueza, indisposição,
mal-estar. “Acho que vou ficar. Tá dando
uma mofineza em mim...”.
MOFINO adj. – Fraco, indisposto, que não
oferece resistência. “O que que esse gato tem? Está tão mofino”.
MONDRONGO s. m. – 1 Inchação, tumor subcutâneo, calombo. 2 Alguma protuberância grande e
esquisita. "Que coisa é esta? Que mondrongo é esse na tua cabeça?"
MONTE adv. –
Bastante. “Já tem um monte de gente lá na
quadra”.
MOTOR s. m. – Barco movido a diesel com
grande capacidade de carga. “Que horas
sai o motor pra Coari?” “Depende. O Capitão Sérgio Souza ou o Comandante Mauro Drida?”
MUCUIM s. m. – 1 Parasita minúsculo que se alimenta de sangue e que vive no
capinzal. 2 Gente pequena.
MUCURA s. f. – Espécie de gambá que come
frango.
MUNGUNZÁ s. m. – Mingau de milho.
MUQUE s. m. – Braço, força. “Ele
carregou o bezerro no muque”.
MURA s. f. – Pessoa invocada, fechada. “Vê se conversa com as pessoas! Parece uma
mura!”
MURUPI s. f. – Pimenta
amarela extremamente forte.
MUTUCA s. f. – Observação. “Tu pensas que não, mas ele fica ali só de
mutuca pra ver se te pega no flagra”.
N
NÃO BATER
BEM exp.
id. – Ser meio leso, abilolado. "Essa menina não bate bem. Tomar café
com feijão?!"
NÃO É PÃO! exp. id. – Claro que sim! "O barco já chegou?" "Massssh... não é pão!"
NÃO FAZER
NEM AMARRADO PELO CHINELO PRETO exp. id. – Não fazer de jeito nenhum. Nem que a vaca tussa.
NÃO VEM QUE
NÃO TEM! exp. id. – “Nem se empolgue que não tem a menor chance”.
NÉ NÃO! exp. id. – Não é não. “É a Leila ali, é?” “Né
não”.
NECA DE
PITIBIRIBA exp. id. – Não mesmo. “Posso sair com o
carro, pai?” “Neca de pitibiriba!”
NEM COM
NOJO! exp.
id. – Expressão equivalente ao “Tem
mil!” “Vai ali e pega água pra mim”.
“Nem com nojo!”
NEM COM O
PITIU (DO BODÓ) exp. id. – Ver Nem com nojo!
NHACA PURA! exp. id. – Fedorento. “Rapá, a mulher
chegou da rua e tava nhaca pura. Não dava pra
agüentar”.
NO BALDE,
NO MUNDO loc. adv. – Ver Que só.
NO CABRESTO loc. adv. – Na linha dura,
sem folga, preso. "O pai da
minha namorada é ciumento. A coitada só vive no cabresto."
NO OLHO loc. adv.– Expressão utilizada para
indicar que alguém recebeu uma resposta certeira. “Tu já chegaste, Manoel?” “Não, Creuza! Tô lá
em casa”. “Toma, Creuza! No
olho! Vai fazer pergunta besta de novo, vai!”
NO TEMPO DO RONCA loc.
adv. – Há
muito tempo. “Essa música do Teixeira de
Manaus é do tempo do ronca”.
NÓ-CEGO s. m. – Uma pessoa que é esperta, finge que faz, mas não faz e sempre se sai bem. “Não cai na do Jorge, não. Esse cara é um maior
nó-cego”.
NOME FEIO s. m. – Palavrão. “Mãe! O Chico tá chamando nome feio!”
O
O BICHO s. m. – Algo muito bom, de boa qualidade. “O Luis nuca perdeu uma queda-de-braço. O
cara é o bicho!”
O QUE ERA
MAIS? exp.
id. – Expressão usada por vendedores no sentido de “Mais alguma coisa?” “O que era mais, mano?”
OLHA JÁ
(ENTÃO)! interj.–
Interjeição de indignação correspondente a “Mas
que abuso!” “E aí, gata, me dá um beijo?” “Mas, olha já então esse aí... Te
manca!”
OLHOS DE PETECA loc. s. – Olhos grandes e claros.
OSGA s. f. – Lagartixa branca com os olhos
pretos, que anda pelas paredes da casa e come insetos. Briba.
“Quando olhei, tinha uma osga nojenta no
teto”.
OVADA adj. – Grávida,
prenhe. “A filha do Joca tá ovada. De gêmeos”.
P
PACOVÃ s. f. – Banana comprida usada para
fazer banana frita.
PACU s. m. – Peixe gordo.
PAGAR SAPO
exp. id. – Humilhar. “O chefe entrou aqui e pagou o maior sapo no
Walter”.
PAGAR v. – Caber. “O tanque do meu carro
pega 40 litros”.
PAGÉ s. m. – Curandeiro que cura tanto com
os remédios da terra como com feitiços e benzeduras.
PAGELA s. f. – Diário de classe. “Ainda não lancei as freqüências na pagela nova”.
PAID’ÉGUA adj. – Algo ou alguém muito bom, muito
legal. “O filme é paid’égua”.
“O teu pai é um cara paid’égua!”
PAID’EGUÃO s. m. – Adulto,
marmanjo. Pode ser usado de forma exclamativa precedido de Tamanho. “Tamanho paid’eguão brincando no balanço das
crianças. Te manca!”
PAJELANÇA s. f. – Ação do curandeiro amazônico.
PALHA s. f. – 1 A palma das palmeiras. 2 Uma
decepção. “O show foi a
maior palha”.
PALMINHA s. f. – Dois pedaços de madeira retangulares (itaúba ou sucupira) usados para marcar o ritmo das toadas
de Boi-Bumbá.
PAMONHA s. m. – Pessoa lesa que todo mundo faz
de trouxa. "Aquele cara é um
pamonha".
PANAIR s. f. – Feira em Manaus.
PANELÃO s. m. – Dente que tem um buraco grande.
“Amanhã minha dentista, Dra. Eliana, vai
tirar meu panelão”.
PANEMA adj. – Infeliz, leso, azarado. “Presta atenção, seu panema!
É tua vez de jogar!”
PANO DE
BUNDA s. m. – Roupa íntima.
PANUVEIRO s. m. – Confusão. “Só porque eu cheguei tarde ontem, minha mãe
fez um panuveiro danado”.
PAPAGAIADO s. m. – Alguém ou alguma coisa
extravagantemente colorido, lembrando um papagaio. "Esta roupa está muito papagaiada!"
PAPAGAIO
GUISADO exp. – Papagaio
amassado, imprestável normalmente disputado pelas crianças após quedar.
PAPAGAIO s. m. – Pipa.
PAPEIRA s. f. – Caxumba.
PAPELIM adj. – Mulher que possui hímen, virgem.
“Eu sou machão mesmo. Só caso se for papelim”.
PAPOCO s. m. – Confusão, barulho. "Tava todo mundo em paz e de repente só
se ouviu o papoco vindo lá da cozinha".
PARA O MÊS
(ANO, etc.) loc. adv. –
Mês (ano) que vem. "Para o mês, vou
ver se compro uma geladeira nova".
PARADA s. f. – Ponto de ônibus. "Se eu não descer agora, só na próxima
parada".
PARANÁ s. m. – Braço de rio que contorna uma ilha.
PARDIOSO adj. – Sujeito com características do
caboclo do interior, desconfiado. “Difícil
vai ser convencer ele a mudar de idéia. Sabe como ele é pardioso...”
PARENTE voc. – Forma de tratamento usado para
se falar com alguém. Equivale a Mano.
“Parente, me dá uma ajudinha aqui?”
PARRUDO adj. - Forte,
musculoso. "Acho bom você não
desafiar esse cara porque ele é muito parrudo!"
PARTINHA s. f. – Franja. "Tu tá igual ao Aritana com essa partinha".
PASSAMENTO s. m. – Desmaio,
mal-estar. “Chama o médico que tua irmã está tendo um passamento!”
PASSAR FERRO
loc. v. – Passar roupa. “Vou pra casa que tenho que passar ferro”.
PASTA s. f. – Creme dental.
PASTORAR v. – Observar,
ficar olhando. “Vou sair, mas vou deixar
a Doralice pastorando os meninos”.
PATUÁ s. f. – Palmeira que dá fruto semelhante ao açaí, rico em óleo vegetal.
PAU D’ÁGUA s. m. – Chuva forte.
PAVULAGEM, PAVOLAGEM,
PAVOLICE ou PAVULICE s. f.
– Empáfia, abestalhamento, orgulho besta. “Ah, eu não pego em peixe, não”. “Caboco pávulo! Deixa de pavulagem e ajuda logo, vai!”
PAXIÚBA s. f. – Espécie de palmeira, cujas folhas servem para cobertura.
PEBADO adj. – Lascado, ferrado. “O Jones sofreu um acidente e ficou todo pebado”.
PÉ-DE-MOLEQUE s. m. – Massa feita com farinha de mandioca, temperada e assada, que se come
como pão.
PEDI, PEDI,
PEDI (repetição) – Repetição rápida do verbo para enfatizar, dar
intensidade. Qualquer verbo. “Mano,
falei, falei, falei e não adiantou nada...”. “Corri, corri, corri, mas o ônibus
foi embora”.
PEDIR PENICO
loc. v. – Desistir de alguma
coisa por falta de coragem ou força. "O
cara não agüenta mais. Já está pedindo penico..."
PEGA,
MOLEQUE! Int. – Interjeição no sentido de “pega,
otário!”
PEGA-MARRECA adj. – Calça curta demais. “Isso é uma
calça ou é uma bermuda? Se for bermuda tá muito longa e se for calça tá
pega-marreca”.
PEGAR CORDA
loc. v. – Deixar-se influenciar, dar
ouvido a. “O teu problema é que tu pega
corda, Alencar. Acredita em tudo que te dizem”.
PEGAR O BECO
loc. v. – Ir embora. “Tá na hora de eu pegar o beco. Tá tarde”.
PEIA s. f. – Sova, surra. "Quem não fizer o que eu mando entra na
peia".
PELA MADRUGADA!
interj. – Expressão de espanto.
Gíria leve, usada entre pessoas mais comportadas. "Pela Madrugada! Você ainda não fez o que te pedi".
PELEJA s. f. – Luta, batalha.
PELEJAR v. – Batalhar, tentar muito. "Eu pelejei pra ver se ela voltava atrás e
nada".
PENCA s. f. – Cacho,
muitos. “A Preta tem uma penca de
filhos”.
PENOSO adj. – Que tem pena do que tem. “Divide os bom-bons com a gente! Deixa de
ser penoso!”
PENSEIRA –
Compensador para balancear um papagaio penso. "Põe uma penseira nesse papagaio que ele
sobe".
PENSO adj. – Torto, pendendo para o lado. "Esse papagaio não vai subir não. Tá
muito penso".
PER´AINDA loc. v.
– Forma sintetizada de "Espere
ainda um pouco". Pode ser acompanhado de ênfase lá então. “Per´ainda lá então! Não me
apressa!”
PEREBA s. m. – Ferida. “Leva esse menino no médico, Berna! Tá cheio de pereba na perna”.
PERNADA s. f. – Caminhada.
PERREXÉ s. – Ver Pardioso.
PÉSSIMO adj. – Pessoa pouco confiável. Mala-sem-alça, nó-cego. “Essa
péssima da Maria ainda não cumpriu minha ordem”. “É naquele bar que se reúnem
os péssimos do bairro”.
PETECA s. f. – Bola de gude. "Tá a fim de jogar peteca agora?"
PIAÇAVA s. f. – Fibra da palmeira utilizada em
vassoura.
PICADINHO s. m. – Carne moída. "Hoje a gente vai comer picadinho com
batata".
PICHÉ s. m. – Cheiro ruim. “Tu tá sentindo um piche de bicho morto?”
PICUINHA s. f. – Questiúncula irritante com que
se azucrina os outros. “Isso é muito pequeno, menina. Deixa de picuinha e vai fazer algo de
útil”.
PIMBA s. f. – Pênis de criança.
PIMBADA s. f. – Ter relações sexuais, dar uma pimbada. "Faz
tempo que eu não dou uma pimbada".
PINCHA s. f. – Tampinha de refrigerante. Mas
só as de metal, hoje raras. “Cadê a
pincha do guaraná? É que eu faço coleção”.
PINDAÍBA s. f. – Miséria, pobreza. "Sabe aquele ricão
lá da rua? Hoje tá na maior pindaíba".
PINGUELO s. m. – 1 Órgão sexual feminino. “Menino
nasce por onde entra: pelo pinguelo”. 2 Clitóris.
PINICAR v. – Beliscar, dar bicadas. “Essa roupa felpuda tá me pinicando”.
PINTA s. f. – Sinal. “Ele tem uma pinta no braço. É de família”.
PIPO s. m. – Chupeta de bebê. “Traz o pipo que
ela tá chorando!”
PIRA s. f. – Ferida. “Ela tá com uma pira enorme no braço”.
PIRACEMA s. f. – Época de desova dos peixes que sobem o rio, procurando o local ideal.
PIRACUÍ s. m. – Farinha de peixe.
PIRARUCU DE
CASACA s. m. – Prato
regional decorado a rigor, feito com farinha e banana.
PIRARUCU s. m. – O bacalhau
amazônico. Peixe grande, de escamas, cuja língua serve de lixa.
PIRENTINHA s. f. – Menina com quem só se quer ter
envolvimento sexual. “Rapaz, casar que é
bom nada... estou só nas pirentinhas”.
PIRIGUETE s. f. – Mulher fácil. Aglutinação de Piranha (ou Perigosa) com Gueguete. “As piriguetes do trabalho do meu marido ficam dando em cima
dele direto”.
PIROCA s. f. – Pênis.
PIROCAR v. – Perder ou cortar o cabelo. “Rapaz, olha o cara aí... pirocou o cabelo todinho”.
PIRUADA s. f. – Jogar para cima alguma coisa
para ser pego pelos demais. “Minha tia
jogou os bom-bons de piruada na festa”
PISA s. f. – Peia, surra. "Menino, te aquieta!
Se não sossegar, vou te dar uma pisa".
PISSICA s. f. – Opinião
não solicitada, mau agouro. “Pára de dar pissica nas minhas coisas”.
PITACO s. m. – Ver Pissica.
PITIÚ s. m. – Cheiro. Geralmente associado a
peixe. “Tá sentindo um pitiú danando aqui? Tomou banho, Creuza?”
PIUM s. m. – Mosquito
pequeno, que se alimenta de sangue, característico do verão, em local pouco
habitado, com mato.
PIXAIM s. m. –
Tipo de cabelo enrolado.
PIXÉ s. m. – O
mesmo que Pitiú.
PLETS s. m. –
Peteleco dado com o dedo na orelha de alguém. “Vai lá, aproveita que o Onildo está distraído
e dá uma cachuleta nele!”
PÕE-MESA s. f. – Louva-Deus.
POMBA s. f. – Pênis.
POMBA-LESA
adj. –
Lento, lerdo, mole. “Esse sujeito não dá
conta de tanto serviço: é um pomba-lesa”. “Sossega,
menina! Toda pomba-lesa aí vai acabar quebrando o vaso!”
PORAQUÊ s. m. –
Peixe-elétrico.
PORONGA s. f. –
Lanterna ou lamparina.
PORRETA adj. – Ver Chibata e Maceta.
PORRUDO adj. – Ver Maceta.
PRA PORRA
loc. adv.
– Muito. “Hoje tá quente pra porra!”
PREGUENTO adj. – Grudento. “Não agüento mais a Débora! Ela é muito preguenta. Não larga da gente”.
PRENHA adj. – Grávida.
PRESENÇA adj. – Bonito, bem apessoado. “Olha que eu não acho homem bonito, não, mas tenho que reconhecer que o
Rodrigo Santoro é presença”.
PRESEPADA s. f. –
Palhaçada, arrumação, confusão. "Deixa
de presepada e sossega aí".
PROCURAÇÃO s. f. – Ato
de procurar. “Dile,
cadê a tesoura?” “Não sei, mas vou fazer uma procuração”.
PROVOCAR v. – Vomitar.
PROVOCO (ô) s. m. – Vômito.
PUPUNHA s. f. – Fruta regional da família do pinhão, comida cozida.
PURO A adv.
– Com cheiro de, cheirando a. “Vai lavar
tua mão que tá puro a peixe"
PUTATEBA exp. id. – Expressão de insatisfação. “Putateba! Deixa eu ver TV em paz!”
PUTATINGA exp.
id. – Expressão
de indignação. “Putatinga!
Quem tomou meu leite que tava aqui na geladeira, hein!”
PUTIREBA ex. id. – Expressão de insatisfação. “Putireba! Acabou
a água!”
PUTITANGA exp. id. – Expressão de
insatisfação. “Putitanga!
Esqueci minha carteira em casa!”
PUXAR O
DEDO exp.
Id – Puxa-se o dedo quando alguém destronca o próprio. “Tem de ir ali na
dona Cora puxar esse dedo, menino!”
Q
QUE DIGA exp. id. – Melhor
dizendo. Usada para correção. “Ele casou
duas vezes. Três, que diga”.
QUE DIRÁ exp. id. – Imagine. “Ele chorou com o colírio, que dirá com a
injeção”.
QUE NEM
– Expressão de comparação. "Ela
pensa que nem eu".
QUE SÓ! loc. adv. – Indica intensidade, similar
a “Pra caramba”.
“Hoje está quente que só!” “Ela é lesa
que só!” “A sala estava lotada que só!”
QUEBRA-MOLA s. m. – Lombada. “Vai devagar aí senão
quebra o carro. Essa rua é cheia de quebra-molas”.
QUEBRANTAR v. – Jogar mau-olhado. Por quebranto.
QUEBRANTO s. m. – Mau-olhado, de admiração ou inveja. “Acho que alguém pôs quebranto no Rex. Ele tá
tão mofino...”.
QUEBRA-QUEIXO
s. m. – Guloseima dura – daí o
nome – feita com amendoim, vendida na porta das escolas. “Quanto tá o quebra-queixo, seu Durval?”
QUEDE...? adv. – Cadê? Que é de? Onde está? “Quede a mamãe?”
QUEIDAR v. – Ato de derrubada do
papagaio, por linha com cerol.
QUEIMAR v. –
Bronzear-se. “Ela tá á na laje se
queimando”.
QUEIMOSO adj. – Com
muita pimenta. "Putateba,
esse tacacá tá queimoso que só".
QUEIXAR v. – Ganhar
no grito, ficar com algo de outra pessoa, ganhar na lábia. “Ela me queixou a minha caneta, não foi?”
QUER NÃO,
NÉ? – Usa-se para oferecer algo quando não
se quer dar. Sempre na negativa e com o né no final.
QUERIDA voc. – Falso
cognato. O uso da palavra “querida”
no Amazonas denota certo sarcasmo ou ironia. “Escuta aqui, minha querida. Eu sou a mulher dele, entendeu?” “Você não
está entendo, querido. (ou seja, você é um burro!)”. Mulher amazonense
odeia ser chamada de querida.
QUERO CESSO
/ NÃO DOU CESSO exp. id. – Expressões que garantem acesso à
comida que alguém está comendo. Se alguém chegar e disser “quero cesso”, quem está comendo tem de dar. Mas se o comedor se
antecipar e disser “Não dou cesso”,
aí morreu. Sem chances de beliscar.
QUERO NÃO. – Inversão
sintática que deixa os interlocutores na dúvida. “Quer ir lá com a gente na biblioteca?” “Quero não”.
QUIRIRI adj. – 1 Deserto, silencioso, calmo. “O lago hoje tava quiriri:
nem peixe nem pássaros”. 2 Tristeza.
R
RABETA s. f. – Motor
de popa, de pouca potência e fácil manuseio utilizado pelos ribeirinhos.
RABICHO s. m. – Extensão elétrica.
RABIOLA s. f. – Linha com tiras de
papel, plástico ou pano que serve para dar estabilidade no papagaio.
RABISSACA s. f. – Virada de cabeça brusca em desprezo
a uma pessoa com quem se cruza, manifestando clara antipatia. “Quando eu dei de cara com elam tu acreditas
que ela me deu uma rabissaca?”
RACHID s. m. – Rachado. “Vamos tomar cerveja. Mas Rachid, meio-a-meio na conta...”
RÁDIO CIPÓ s. f. – A boca pequena, a
fofoca. “Diz a Rádio Cipó que o Gláucio
vai ser demitido”.
RALA-RALA
s. m. –
Gelo ralado colocado num copo e acrescido de xarope de vários sabores. “Quero um rala-rala
de groselha”.
RALHAR v. –
Esculhambar, brigar. “Fiz besteira aí
minha mãe ralhou comigo”.
RALHO s. m. –
Esculhambação, sermão ou briga de alguém que tem autoridade. “Ontem cheguei tarde e levei o maior ralho
da minha mãe”.
RANCHO s. m. – Cesta
básica, compras do supermercado. “Tem que
fazer o rancho hoje”.
RAPAZ voc. – Vocativo,
usado para os dois gêneros: “Calma,
Rapaz! Que mulher afobada!”
RAPICHÉ s. f. – Rede de
pesca.
RAPIDOLA adj. – Muito
rápido. “Para levantar esse muro é rapidola”.
RASGA-MORTALHA
s. f. – Ave
de mau agouro. Diz a lenda que quando passa perto de
alguma casa produzindo seu ruído característico de alguma coisa rasgando,
alguém daquela casa morre.
RATADA s. f. – Mancada, pisada de bola. “Eu ia fazer uma festa surpresa, mas o João
acabou contando antes. Deu a maior ratada!”
REBARBA s. f. – Resto de
qualquer coisa. “Quando tem churrasco
aqui em casa, o Rex é que pega a rebarba”.
REBOJO s. m. – Movimento das águas no rio, redemoinho.
REBOLAR NO MATO
exp. id. – Jogar fora no lixo.
RECREIO s. m. – Barco de recreio. “Que horas sai o recreio para a Praia da Lua?”
REGATÃO s. m. – Mercador ambulante que em barco
ou canoa percorre o interior parando de lugar em lugar.
REIMOSO/REMOSO adj. – Comida que faz mal. “Mãe, já posso comer pirarucu?” “Tá doido,
menino. Tu acabaste de te operar e pirarucu é reimoso.”
REINAR v. – Fazer carinhos apertados,
efusivos, em crianças.
RELAR v. – Tocar de leve em outra pessoa, na
maioria das vezes com segundas e sensuais intenções.
REMANSEAR v. – Enrolar,
fazer corpo mole. “Pára de remansear e ajuda a gente a carregar essas caixas lá pra
baixo”.
REMANSO s. m. – Pedaço do rio em que a topografia provoca um refluxo fluvial,
diminuindo a correnteza.
REMELA s. f. – Secreção
ocular, principalmente aquela presente quando acordamos.
REMENDAR v. Imitar
jocosamente. “Pára de ficar me
remendando! Parece meu espelho”.
REMOSO adj. – Ver Reimoso.
RENDIDO adj. – 1 Impossibilitado de fazer algo por questões de indisposição de
saúde. “Não posso sair hoje que estou
rendido com uma diarréia”. 2 Com
hérnia de escroto. “Meu filho levou uma
bolada e fixou rendido, doutor”.
REPARAR v. – Tomar conta. “Não posso sair porque tenho que reparar o bebê”. “Quer que eu repare
o carro, tio?”
REPIQUETE s. m. – Um súbito aumento no nível das águas no período em que o rio está
baixando.
REQUENGUELO adj. Meio destruído, decadente, malvestido,
sujo. “Ele tinha um carrinho vermelho,
todo requenguelo”. “Tu viste aquela mulher toda requenguela passando pela praia?”
RESERVA s. m. – Pneu sobressalente, estepe.
RESPEITE! –
Expressão de admiração por alguma coisa. "Respeite
o carro novo que o meu amigo aqui comprou!"
RETALHO s. m. – Varejo. “Ele vende cigarro a retalho?”
RÓDO s. m. – Porto. Aportuguesamento de roadway. “Meu
irmão vai pegar o motor lá no ródo”.
ROER UMA
PUPUNHA exp. id. – Passar por dificuldades. “Depois que ele se separou da mulher, ficou
quebrado. Roeu uma pupunha o coitado”.
ROLOS s. m. – Muitos. “Ela saiu e trouxe rolos de mangas”.
RÓSEO adj. – Cor de rosa. "De quem é essa camisa rósea
aqui?"
ROTA s. m. – Ônibus de transporte que faz a
condução às empresas do distrito industrial. "Ontem acordei tarde e perdi o rota".
RUEIRO adj. – Pessoa que não gosta de ficar em
casa e arruma motivo para sair.
RUMA s. f. – Indica
grande quantidade. "Não é hoje que
eu ultrapasso! Essa ruma de carros Não acaba mais de passar!"
S
SABACU s. m. – O mesmo que Babau. Punição que um grupo confere a
alguém por um malfeito. Todos batem com as mãos, ao mesmo tempo, na cabeça do
coitado. “Fez besteira! Vai levar sabacu por isso!”
SABIDO adj. – Esperto, inteligente.
“O Roney é sabido, né?
Tomou dez cervejas e pagou quatro”.
SACOPEMBA adj. – Pessoa gorda. "Tu viste a mulher do Curica? Tá mesmo que
uma sacopemba".
SAFO adj. – Sujeito esperto, pessoa desembaraçada.
SALIENTE adj. – Pessoa enxerida, intrometida,
metida a conquistadora. "Minha filha
não vai sair com esse rapaz porque ele é muito saliente!"
SAMBADO adj. – Objeto com muito uso.
SANDUBA s. m. – Sanduíche.
SAPECAR v. – Dar, bater. “Ela frescou aí eu sapequei a porrada nela!”