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SERGIOFREIRE.COM.BR |
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Aqui você me encontra por escrito. |
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Trabalho com análise de discurso e leitura, discursivamente, é atribuição de sentido e não extração de sentido. É o que se leva para o texto e não o que dele se retira. |
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“PÃOS OU PÃES É QUESTÃO DE OPINIÃES” |
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Se há uma coisa que admiro na obra de Deus é a pluralidade de gente no mundo. Não me refiro aos aspectos físicos, mas à diversidade de pensamento, sem a qual a sociedade não caminha. Quem escreve em jornal sente no couro esse caldeirão de idéias conflitantes. Só mesmo alguém ingênuo almeja a unanimidade com um texto que escreve. Aparte: alguém ingênuo quase nunca tem espaço em jornal. Mas são tantos e diversos os leitores, com suas origens e crenças, que fica mesmo impossível agradar a todos. Se escrevo sobre amor romântico, sou acusado de piegas. Se falo sobre sexo, sou o xodó pervertido do capeta. Se falo da beleza da mulher de vestido, sou um romântico. Se não falo, sou um machista troglodita. Se escrevo sobre a escolinha da Clara, não tenho assunto. Se não escrevo, não consigo ver beleza nas pequenas coisas. Se falo na Unicamp em meus textos, sou um metido. Se defendo a Ufam, sou provinciano. Se escrevo sobre professores, sou Noé. Se não escrevo, ignoro a própria classe. Se uso palavras em outra língua, sou um entreguista lingüístico. Se não uso, sou um purista asqueroso. Se falo dos meus quarenta anos, faço propaganda para um candidato. Se não falo, estou em crise e não consigo verbalizar meus problemas. Se defendo os índios da Raposa-Serra do Sol, sou um vendilhão da pátria. Se defendo as preocupações do exército, sou um reacionário. Falei bem do governo? Sou vendido, mal-intencionado e puxa-saco. Falei mal do governo? Sou vendido, mal-intencionado e puxa-saco. Se nem trisquei em política no texto, sou um alienado. Enquanto uma professora me agradece a contribuição em sala de aula, outra, ex-fã, vira cara ofendida pelo que escrevi. Interessante como um mesmo texto é capaz de provocar reações diversas. Uns escrevem e-mails gostosos dizendo que nos amam, outros fazem o favor de nos tolerar. Outros ainda, quase sempre os mesmos, nunca perdem a chance de nos esculachar. É engraçado como os que nos odeiam nos lêem. Trabalho com análise de discurso e leitura, discursivamente, é atribuição de sentido e não extração de sentido. É o que se leva para o texto e não o que dele se retira. A gente só acha o que já deixou lá. Resumindo: eu me leio num texto. Daí as mil leituras de um fato, de um texto, do mundo. Daí alguns beicinhos com os textos que escrevo. Fato é que ter opiniões e colocá-las em público é algo inadmissível para muita gente. É melhor seguir o rebanho do lugar-comum. Pelo menos é mais seguro. Minha cunhada reclamou um dia desses: “Por que tu tens que estar escrevendo essas coisas? Fica quieto!” Mas quando alguém me diz para ficar quieto, penso com meus botões: “A troco?” “Pensar com meus botões”, aliás, é uma expressão antiga. Tem gente que não vai gostar. Os de quarenta vão amar. E outros vão reclamar porque falei de quarenta de novo. S. Sérgio Augusto Freire de Souza |
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Depto de Línguas e Literaturas Estrangeiras -DLLE Universidade Federal do Amazonas Av. Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 3000 Coroado II, Manaus, Am - 69077-000 Tel: (92) 3647 4393 E-mail: sergio@sergiofreire.com.br
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Amazonense de Manaus, 40 anos, sou formado em Letras pela Universidade Federal do Amazonas, Mestre em Letras pela mesma Ufam e Doutor em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Escrevi dois livros: New Citizen, inglês para cidadania, em co-autoria, e Conhecendo análise de discurso. Um terceiro está a caminho. Desde 1991 sou professor do Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras da Ufam, com uma breve pausa de três anos (2005-2007) para assumir a subsecretaria de educação de Manaus. Além de textos acadêmicos, escrevo crônicas do cotidiano e dos sentimentos, muitas disponíveis aqui. Às quartas publico uma coluna no jornal Em Tempo, de Manaus. Sou casado com a Bia e duas filhas me têm: Ana Clara e Marina. |
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